Indígenas ocupam Funasa

Jornal do Brasil

SÃO PAULO - Cerca de 100 indígenas invadiram terça-feira o prédio da Fundação Nacional de Saúde no Centro de São Paulo. Os índios mantinham, até a noite de terça-feira, parte dos funcionários do órgão como reféns. A maioria, no entanto, foi liberada pelos indígenas durante a tarde. Ao todo, cerca de 80 funcionários foram impedidos de sair do prédio desde às 8h. Os indígenas exigiam a exoneração do coordenador da Funasa em São Paulo, Raze Rezek, e melhorias no atendimento à saúde da população indígena do estado.

Após a liberação da maior parte dos funcionários, permaneceram impedidos de deixar o edifício cinco chefes de seções do órgão e outros dois procuradores da entidade que ajudavam nas negociações. Os manifestantes representantes de 5.000 índios, de 37 comunidades paulistas também exigiam a presença do presidente nacional da Funasa, Danilo Forte, para negociar a desocupação do prédio.

Os indígenas chegaram a bloquear passagem pela rua Bento Freitas, na Vila Buarque, com dois veículos, e se recusaram a dialogar com a Polícia Militar, que isolou a área. A via só foi liberada por volta das 15h30. As entradas do prédio da Funasa também foram bloqueadas e parte dos indígenas estavam armados com arco e flecha. De acordo com os indígenas, os recursos da saúde não chegam às aldeias.

Queremos que o saneamento seja melhorado nas nossas regiões afirmou Awa, um dos representantes indígenas. Segundo a Funasa, o clima no interior do local era pacífico. Rezek aceitou, ainda na tarde de terça-feira, negociar com os indígenas, mas não havia colocado um fim ao impasse até a noite de terça-feira. A princípio, o coordenador afirmou que só se encontraria com os índios caso a reunião ocorresse fora do prédio da Funasa e com apenas duas lideranças indígenas.

Ou conversa com todos os índios ou não haverá negociação respondeu o cacique Darã. Com a insistência dos índios, Rezek aceitou ir a sede da entidade e, ainda na noite de terça-feira, disse que vai pedir demissão quinta-feira ao presidente da fundação, Danilo Forte, sua demissão.

Violência

Em todo o ano passado foram registrados 60 assassinatos e 34 suicídios de indígenas em todo o país. Todos os casos de suicídio ocorreram entre os Guarani Kaiowá, do Mato Grosso do Sul. Esses povos também foram os que mais sofreram com assassinatos: 42 pessoas mortas.

Os números fazem parte do relatório Violência contra os povos indígenas no Brasil , do Conselho Indigenista Missionário (Cimi). O documento deve ser apresentado quarta-feira durante o 6º Acampamento Terra Livre que reúne índios de diversas etnias e de várias partes do Brasil até a próxima sexta-feira, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília.

O Conselho Indigenista Missionário também denuncia o caos no atendimento à saúde . A entidade, ligada à Igreja Católica, afirma que no ano passado 68 índios morreram como consequência da desassitência à saúde , recorrente, de acordo com o órgão, nos estados do Acre, Amazonas, Rondônia, Tocantins, Goiás, Mato Grosso do Sul e Maranhão.