Empresa francesa diz que trem-bala entre Rio e SP é viável

Agência Câmara

BRASÍLIA - O presidente da Alstom do Brasil, Philippe Deleur, disse nesta terça-feira que o trem-bala que vai ligar Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro é viável, embora dependa de obras significativas de preparação do terreno. Ele participou de uma mesa-redonda da Comissão de Viação e Transportes da Câmara que discutiu com uma delegação francesa a implantação desse novo tipo de transporte no país.

O governo brasileiro está finalizando os estudos de viabilidade do trem-bala para poder licitar a tecnologia que será usada. Uma comitiva japonesa já esteve na Câmara para discutir o assunto em abril do ano passado.

Para o deputado Hugo Leal (PSC-RJ), que é 3º vice-presidente da comissão, o projeto deverá receber apenas recursos privados para estar concluído a tempo para a Copa do Mundo de 2014. - É uma exploração comercial de um sistema de transporte novo que o país não detém, então tem que ser por conta e risco de quem vai operar. O que o governo pode fazer é adequar a infraestrutura. Agora, investimento, não - disse.

O presidente da Alstom do Brasil, Philippe Delleur, disse que, além de possibilitar o transporte dos passageiros até os centros das cidades, os trens de alta velocidade têm outras vantagens. - As pessoas que ficam no trem podem trabalhar, podem comer, podem ter atividades que não existem em outros meios de transporte. Além disso, do ponto de vista tanto de consumo de energia quanto da proteção do meio-ambiente, isso não tem igual em nenhum outro meio de transporte - afirmou.

A Alstom é responsável por 70% dos trens de alta velocidade que circulam no mundo. São trens que desenvolvem uma velocidade superior a 300 km por hora. Em 2007, foi atingido o recorde de 574,8 km por hora.

O presidente da Agência Nacional de Transporte Ferroviário da França, Pascal Lupo, disse que, além de ser um transporte seguro, os trens de alta velocidade aumentam a possibilidade de negócios, representam uma tecnologia limpa e favorecem a integração com outros sistemas de transporte.

Para o presidente da comissão, deputado Jaime Martins (PR/MG), o trem facilitará a desconcentração populacional das cidades, pois as pessoas poderão morar em locais mais distantes e ainda assim chegar rapidamente ao trabalho.