MP abre investigação sobre suposto esquema de Agaciel

Jornal do Brasil

BRASÍLIA - O Ministério Público Federal no Distrito Federal abriu procedimento investigatório criminal para apurar as denúncias veiculadas pela revista Época, segundo as quais o ex-diretor geral do Senado, Agaciel Maia, estaria por trás de empresas criadas para prestar serviços à Casa, na condição de terceirizadas. O procurador da República Gustavo Pessanha Velloso é o responsável pela investigação. As denúncias foram feitas pelo ex-diretor de Recursos Humanos, João Carlos Zoghbi.

Já o corregedor do Senado, Romeu Tuma (PTB-SP), decidiu encaminhar ao Banco Central pedido de informação sobre as movimentações financeiras operadas pelos 38 bancos que realizam crédito consignado para servidores da Casa. Tuma quer os dados para investigar se Maia comandou esquema de desvio de recursos em contratos com bancos. Zoghbi, no entanto, também insinuou, na entrevista, a participação do próprio corregedor e do ex-primeiro-secretário Efraim Moraes (DEM-PB) no esquema.

No documento, Tuma pede que o Banco Central analise se os empréstimos seguiram os limites permitidos por lei. A suspeita lançada por Zoghbi é que Agaciel Maia autorizava operações com valores superiores aos limites.

É preciso esclarecer se isso é verdade e quem seriam os beneficiários disse.

Tuma nega envolvimento em qualquer irregularidade no comando da Primeira Secretaria. O senador vai pedir ainda ao primeiro-secretário do Senado, Heráclito Fortes (DEM-PI), que adie uma decisão sobre o pedido de aposentadoria apresentado por Zoghbi na semana passada até que o inquérito aberto pela Comissão de Sindicância seja concluído. A comissão apura o envolvimento de Zoghbi em um esquema que desviava recursos do Senado para empresas de fachada registradas em nomes de laranjas.

Segundo a revista Época, Zoghbi abriu no nome de uma ex-babá Maria Izabel Gomes, 83, que mora na casa dele, três empresas DMZ Consultoria Empresarial, DMZ Corretora de Seguros Ltda e Contact Assessoria de Crédito Ltda. A suspeita é de que parte do faturamento dos últimos anos dessas empresas, cerca de R$ 3 milhões, teria como origem contratos assinados pelo Senado. (Com agências)