Funcionários de arrozeiros chegam à Raposa para colheita

Cyneida Correia, Portal Terra

BOA VISTA - Os funcionários das fazendas que ficam dentro da reserva indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, voltaram ao local para terminar a colheita do arroz. Cerca de 50 mil sacas do produto ainda estão na reserva e devem ser retiradas até o dia 16 de maio, de acordo com determinação do Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão acabou com uma manifestação que acontecia na praça principal de Boa Vista, em que os arrozeiros pediam para concluir a colheita.

Somente na plantação do produtor Paulo César Quartiero, a área a ser colhida equivale a 400 hectares de arroz irrigado. O desembargador Jirair Meguerian, responsável pela operação de retirada dos não-índios da reserva, disse que a essa será a melhor forma de resolver o problema da colheita, uma vez que todos os rizicultores já saíram da área demarcada e os funcionários das fazendas serão os responsáveis em colher o produto. "O prazo será de 10 dias para que colham os 500 hectares de arroz ainda plantados", disse o desembargador. Meguerian confirmou que uma Ata de Audiência Extraordinária foi assinada por ele e pelos rizicultores, estipulando o prazo e a escolta policial das máquinas e dos empregados que irão colher o arroz.

Os fazendeiros não poderão voltar às suas propriedades. Apenas seus funcionários estarão no local, sob fiscalização e segurança da Polícia Federal. Eles foram proibidos de retornar à reserva devido aos problemas que causaram para sair do local. Depois de concluída a colheita, os funcionários devem deixar imediatamente a área e o produto ficará à disposição da Associação dos Arrozeiros do Estado de Roraima. A Câmara dos Deputados garantiu a saída dos não-índios até o prazo determinado.

Religiosos e não índios na reserva

Os religiosos que vivem dentro da reserva Raposa Serra do Sol terão 90 dias para regularizar sua situação junto à Fundação Nacional do Índio (Funai). Se não o fizerem no prazo estipulado, deverão deixar a área, de acordo com informações de Meguerian. A decisão se aplica tanto a freiras e padres católicos quanto a pastores evangélicos. Os pastores indígenas poderão permanecer na área.

A Funais estima que 28 famílias permaneçam na reserva, sendo retiradas aos poucos por agentes da Força de Segurança Nacional e Polícia Federal. Foram montadas pelo menos três bases policiais no interior da terra indígena. Uma delas, na Vila Surumu, conta com 60 homens. Indígenas de diversas organizações montaram acampamentos nas fazendas. Os trabalhos de desocupação continuam até que toda a reserva não tenha mais habitantes não-índios. A estimativa das autoridades é que dentro de 15 dias a medida judicial seja cumprida