Donos de academia fazem vista grossa para a prática ilegal

Luciana Abade , Jornal do Brasil

BRASÍLIA - A Associação Brasileira de Academias de Ginástica (Acad) está elaborando em parceria com a indústria farmacêutica de São Paulo uma campanha informativa para que frequentadores das academias priorizem a saúde na prática de atividades físicas. Segundo o presidente da Acad, Cláudio Silva, essa é uma preocupação constante de uma parcela considerável de proprietários de academia. Assim como a regulamentação das unidades.

Segundo Silva, o consumo de anabolizantes é comum tanto em academias frequentadas por pessoas abastadas, quanto nas mais populares. A preocupação com as últimas, no entanto, é que seus frequentadores utilizam produtos de pior qualidade e, muitas vezes, feitos para uso em animais.

Se houver uma fiscalização rigorosa nas unidades, vão achar muita irregularidade, mesmo nos bairros de classe média alta garante Silva, que tem formação em medicina do esporte.

Segundo o médico, as academias não vendem anabolizantes, mas muitos professores dessas unidades vendem suplementos e anabolizantes para os alunos, sem receita médica, sob a vista grossa dos proprietários que fecham os olhos para compensar os baixos salários que pagam.

Silva acredita que profissionais qualificados são fundamentais para acabar com essa prática. O problema, segundo explica, é que a regulamentação do profissional de educação física é muito recente. E o mercado teve que absorver os antigos profissionais que trabalhavam no setor. Ainda assim, o médico garante que o Brasil é mais evoluído que muitos países de primeiro mundo que não exigem formação superior para professores de academias.

Na semana passada, dois adolescentes de 16 anos que foram internados em estado grave no Hospital de Urgências de Goiânia receberam alta. De acordo com os médicos, eles aplicaram uma quantidade de anabolizantes 100 vezes maior do que a usada em animais, como boi e cavalos.

Julieber Costa, de Catalão (GO), não teve a mesma sorte dos dois adolescentes de Goiânia. Ele morreu, no ano passado, três dias depois de ser internado com dores e inchaço no raço direito. Ele confessou que usava anabolizantes que, segundo a mulher dele, eram produtos para tratamento de bois e cavalos. A academia que Costa malhava não tinha autorização para funcionar, segundo a vigilância sanitária do estado.

Fiscalização

Segundo o presidente da Acad, integrantes de quadrilhas que contrabandeiam anabolizantes se inscrevem nas academias para vender o produto. Alguns desse alunos foram detidos no ao passado em uma operação no Rio de Janeiro que prendeu 12 pessoas. Na Barra da Tijuca, anabolizantes foram apreendidos na loja de uma academia. Em outras unidades foram recolhidas sacolas cheias de produtos ilegais. (L.A.)