No palanque, Protógenes chora durante o Hino Nacional

Portal Terra

SÃO PAULO - O delegado afastado da Polícia Federal Protógenes Queiroz, que presidiu a Operação Satiagraha, chorou nesta sexta-feira durante a execução do Hino Nacional no palanque montado pela Força Sindical para as comemorações do Dia do Trabalho em São Paulo.

Diante de um público estimado em cerca de 450 mil pessoas pela Polícia Militar do Estado de São Paulo, Queiroz se emocionou no final da execução. Tirou os óculos, enxugou as lágrimas e terminou de cantar o hino com o punho da mão direita cerrado e erguido.

- Sempre que escuto o hino me emociono. Ainda mais com uma platéia imensa dessas - disse o delegado. - Tenho muito orgulho de ser brasileiro - compeltou.

Queiroz admitiu que pode disputar uma vaga na Câmara nas eleições de 2010, mas diz que ainda não fechou posição sobre o assunto.

Apresentado ao público pelo presidente da Força Sindical, o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT), o delegado foi breve em seu pronunciamento e se disse solidário aos desempregados.

- Eu também estou afastado do trabalho, estou junto com vocês. Mas somos honestos - afirmou.Protógenes comandou a operação Satiagraha, deflagrada em 8 de junho do ano passado. Ele reuniu cerca de 300 agentes da Polícia federal e prendeu o banqueiro Daniel Dantas, o empresário Naji Nahas e o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta.

Durante a Satiagraha, Dantas chegou a ter sua prisão decretada por duas vezes e foi levado à carceragem da PF. Dois habeas-corpus concedidos pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, durante o recesso do Poder Judiciário, no entanto, o colocaram em liberdade.

Em seguida, ele afastado da operação após as suspeitas de que teria vazado informações das investigações. O delegado responde a um inquérito por isso. Na época, a PF afirmou que o delegado deixava a operação para realizar um curso.

Em novembro, ao retomar suas atividades, Protógenes foi informado de seu afastamento também da Diretoria de Inteligência da PF. Depois disso, o delegado afirmou que entraria com um pedido de indenização contra a PF, mas disse que não tinha pressa para mover a ação.