Não tenho paixão de entrar na Opep, diz Lula

Jornal do Brasil

DA REDAÇÃO - Ao criticar de forma contundente os agentes do mercado e o Consenso de Washington, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o governo brasileiro admite a hipótese de não se integrar à Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) quando a Petrobras começar a produzir nos campos do pré-sal a plena carga. O presidente justificou que, apesar dos convites do cartel, o governo tem dúvidas sobre as vantagens da integração, uma vez que os preços do barril de petróleo são determinados hoje principalmente pelos preços do mercado spot de curto prazo.

Eu não tenho nenhuma paixão de entrar na Opep. Até parece que a Opep tem todo esse poder que ela pensa que tem porque, quando o preço aumenta, ela diz que não é ela, quando o preço baixa, ela também diz que não é ela, então o que ela pode? O mercado futuro decide mais que a Opep ironizou Lula, sob aplausos durante o evento de celebração do primeiro óleo produzido no campo de Tupi, no pré-sal da Bacia de Santos. Foi a especulação do mercado futuro junto com as subprimes que levou o mundo a essa crise que nós estamos vivendo.

Ao criticar a especulação financeira, o presidente aproveitou para lembrar não só da reação dos mercados à escolha de José Eduardo Dutra e José Sergio Gabrielli para a presidência da Petrobras. Na época, lembrou, analistas de corretoras e consultorias foram quase unânimes em ameaçar a companhia com aumento da avaliação de risco devido à escolha de nomes sem a chancela da iniciativa privada. Apesar das críticas, comparou Lula, tanto Dutra quanto Gabrielli foram aceitos, posteriormente, devido aos resultados da companhia.

Ainda com relação à crise mundial, Lula ironizou a dificuldade dos mesmos críticos do mercado financeiro em entender os efeitos da crise sobre as economias mais ricas. Ao identificar tais críticos ao chamado Consenso de Washington conjunto de medidas liberalizantes definido nos anos 80 como solução para o desenvolvimento dos países latino-americanos o presidente lembrou que esses mesmos agentes de mercado souberam encontrar as causas das crises dos emergentes dos anos 90.

Veja como Deus é onipotente: a grande lição da economia do século 21 não foi dada pelo fracasso de nenhum país emergente, ela foi dada exatamente pelos pós-graduados da economia mundial que sabiam tudo quando a crise era na Bolívia, que sabiam tudo quando a crise era no Brasil, que sabiam tudo quando a crise era na Rússia afirmou Lula, ao acrescentar que, hoje, a figura mais importante da diplomacia mundial é o companheiro Celso Amorim, ministro das Relações Exteriores . Hoje quando acontece alguma coisa na casa do vizinho, você sabe quais são as respostas, mas você já reparou que, quando acontece na casa da gente, a gene não sabe o que fazer? Então, hoje, quando eu converso com o presidente Obama, com a Angela Merkel, da Alemanha, com o Gordon Brown, da Inglaterra, com o Sarkozy, percebo que eles estão em uma situação muito difícil, porque ninguém tem resposta para a crise. Eles não sabem muito o que fazer, porque também ainda não sabemos o tamanho dessa crise e não sabemos se já chegou no fundo do poço.