Dia do Trabalho: protestos e fila de desempregados no Rio

Felipe Sáles, Jornal do Brasil

RIO - Debaixo de sol e chuva e enfrentando até cinco horas na fila, uma multidão de desempregados comemorou o Dia do Trabalho sexta-feira na Quinta da Boa Vista em busca de uma das 3 mil vagas oferecidas pelos governos municipal e estadual. A festa organizada pelo governo federal reuniu sambistas e aglomerou cerca de 100 mil pessoas no parque, segundo a Polícia Militar.

A desempregada Cristiane Silva do Nascimento, de 25 anos, enfrentou cerca de três horas na fila do Centro Público de Emprego, Trabalho e Renda da prefeitura, que oferecia mil vagas de diversas empresas. Ainda de manhã, todas as vagas de telemarketing se esgotaram. Um outro posto do governo de estado oferecia mais 2 mil vagas. Alguns chegaram ao local por volta das 6h e aguardaram cerca de cinco horas para serem atendidos.

Estou em busca de qualquer coisa, nunca trabalhei. Já visitei várias empresas e lojas mas não consigo nada contou Cristiane. Tem muita gente, não sei se vou conseguir.

O secretário municipal de Trabalho, Augusto Lopes de Almeida Ribeiro, considerou a procura natural.

O Dia do Trabalho é sempre cercado de expectativas, pois muitos aproveitam para procura emprego. Tanto que sequer divulgamos o número de vagas para não causar correria disse Ribeiro.

O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, que já havia participado de comemorações em São Paulo, também esteve na Quinta da Boa Vista, onde ouviu vaias quando mensagens sonoras na voz dele falavam em tom de otimismo.

Eu sou naturalmente um otimista e temos motivos para isso. Temos muito desemprego, mas é um problema histórico. Em sete anos criamos mais de 10 milhões de vagas contabiliza. O Brasil já está saindo da crise. O Brasil está se saindo muito bem e vai sair da crise melhor do que entrou.

Alheias aos problemas dos adultos, muitas crianças aproveitaram o dia de sol para curtir a Quinta da Boa Vista. Outros, porém, preferiram engrossar o coro dos que protestavam não só por causa do desemprego, mas também contra a violência, a situação da saúde pública tudo isso que está aí , como disse um dos manifestatnes.

Um grupo de militantes que se diziam da esquerda do PT foi ao local com faixas, cartazes, bandeiras e um protótipo do caveirão (veículo blindado da PM muito utilizado em favelas). Educador de primeiros socorros, Francisco Abreu, 39 anos, foi ao local com uniforme de operário e um cartaz contra as chicotadas dos funcionários da SuperVia, no dia 15.

Aquele problema, por exemplo aconteceu porque os trabalhadores faziam greve e reivindicavam melhores condições de trabalho lembra Francisco. Quisemos fazer um protesto criativo porque, para nós, o Dia do Trabalho deveria ser de reflexão, não de comemoração.

O dia contou ainda com shows de Beth Carvalho e vários sambistas convidados. O público, porém, foi surpreendido por uma forte chuva por volta das 17h e a maioria abandonou o evento.