Produtores dizem que não deixam reserva no prazo dado pela Justiça

Agência Brasil

BOA VISTA - Dois produtores de arroz garantem que estarão amanhã nas fazendas que ocupam dentro da Terra Indígena Raposa Serra do Sol (RR). O prazo dado pela Justiça para a desocupação termina hoje, mas os agricultores insistem que não podem deixar a área porque ainda têm colheitas pendentes. - O arroz ainda não está no ponto para ser colhido, só depois do dia 15 - afirmou o produtor Paulo César Quartiero. Ele diz ter cerca de 400 hectares à espera da colheita na Fazenda Providência e não admite ser retirado da região com truculência. - Estarei lá esperando. Se vier com ordem judicial escrita e clara, eu saio, mas não vou sair na marra, só porque haverá muitos policiais - afirmou.

A Fazenda Depósito, que também era ocupada por Quartiero, teve sedes e galpões destruídos e ele poderá ser responsabilizado criminalmente, pois a Fundação Nacional do Índio (Funai) já depositou em juízo indenizações pela benfeitorias. - A propriedade é minha e eu destruo da maneira que quiser - argumentou o rizicultor.

O outro produtor que ainda tem colheita pendente na Raposa Serra do Sol é Tiaraju Saccio. Ele ainda teria 80 hectares plantados na Fazenda Canadá e também está disposto a esperar pela eventual desocupação forçada. - Vamos lutar pelo que é nosso. Plantamos e temos direito a colher. O governo não tem nenhuma máquina para colher arroz - disse.

Trezentos agentes da Polícia Federal (PF) e da Força Nacional de Segurança estão mobilizados para participar da operação de desintrusão a partir de amanhã. Segundo o superintendente da PF em Roraima, José Maria Fonseca, os produtores de arroz deverão sair da área sem resistir, até porque o arroz deles já está embargado pelo Ibama [Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis] .

O órgão aplicou multas milionárias aos produtores por degradação ambiental.