Após pedidos de impeachment, Gilmar Mendes minimiza críticas

Portal Terra

BRASÍLIA - O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, minimizou nesta quinta-feira a recente onda de protestos que tem recebido desde que determinou, através da concessão de dois habeas corpus, que o banqueiro Daniel Dantas fosse colocado em liberdade e afirmou que as manifestações contra suas atitudes fazem parte do processo democrático.

Após ter protagonizado, há pouco mais de uma semana, um bate-boca com o ministro Joaquim Barbosa, também do STF, Mendes foi alvo de críticas de estudantes, que adornaram a estátua da Justiça, em frente ao Supremo, com faixas de "capanga da Justiça". Até as 12h10 desta quinta, circulava um abaixo-assinado organizado por um movimento intitulado "Saia, Gilmar" com 17.966 assinaturas em favor do impeachment do presidente da Suprema Corte.

- O bate-boca com Joaquim Barbosa É um caso ultrapassado. O Tribunal já se pronunciou. Está devidamente disciplinado e regulado - disse Gilmar Mendes após se reunir com o presidente do Senado, José Sarney (PMDB).

Ontem, na primeira sessão plenária após a discussão com Barbosa, Mendes recebeu apoio dos demais integrantes do STF. Joaquim Barbosa, que está de licença médica, não estava presente.

- Os protestos não me incomodam. De jeito nenhum. Isso não me causa nenhum transtorno. Tem sempre algum protesto em algum lugar na Praça dos Três Poderes - minimizou o presidente do Supremo, lembrando que o episódio envolvendo Barbosa "está superado" e não deve ter outros desdobramentos.

No início da semana, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), órgão de controle externo do Poder Judiciário também presidido por Mendes, recebeu duas representações pedindo a abertura de um procedimento administrativo contra Barbosa e explicações formais do magistrado por ter acusado o presidente do STF, sem apresentar provas, de ter "destruído a Justiça brasileira".