Quase um mês depois, deputado do castelo de R$ 25 mi se defende

Agência Brasil

BRASÍLIA - O deputado mineiro Edmar Moreira, sem partido, apresentou sua defesa ao Conselho de Ética da Câmara no processo a que responde por suposto uso irregular de verba indenizatória. Ele usou notas de suas empresas de segurança para obter o ressarcimento dos R$ 15 mil da verba indenizatória.

No documento, o deputado afirma que não havia impedimento para o uso da verba em sua própria empresa. E toma por base declaração do presidente da Casa, Michel Temer (PMDB-SP), sobre o uso das passagens aéreas na Casa. Temer afirma que não há irregularidade no uso da cota de passagens no passado. Moreira alega que o argumento também deve ser aplicado em seu caso.

- Tal como fizemos no caso da verba indenizatória, em que havia um sistema normativo anterior revogado por um sistema normativo novo, é claro que não se pode questionar o que ocorreu no passado - diz na defesa. - Quero deixar claríssimo aos senhores parlamentares é que não houve prática ilícita no passado - complementa.

O deputado ainda questiona a comissão de sindicância criada para investigá-lo e se diz perseguido. Para ele, não é válida a alegação da comissão de sindicância de que não teria conseguido mostrar que os serviços de segurança foram prestados. Moreira afirma que um contrato, mesmo sem registro em cartório, mostra a realização do serviço. E admite ter sacado dinheiro da verba indenizatória, mas ressalta que obteve autorização da Casa para isso. E, ao se explicar na defesa, foi claro: 'A minha conclusão não pode ser outra senão a que venho bradando desde o início dessa minha defesa: a urgência em me condenar', concluiu.

Edmar Moreira ficou conhecido por ter construído um castelo no interior de Minas Gerais avaliado em R$ 25 milhões. O prédio de 36 suítes - das quais uma delas, com 110 m², ocupa três andares de uma torre - possui piscinas, lago, jardins, dois elevadores, adega para 8 mil garrafas e mármore em várias peças, inclusive nos banheiros e na sauna. O político é acusado ainda de não ter declarado o imóvel no Imposto de Renda. O deputado alegou que o palacete foi transferido em 1993 para seus dois filhos.