Ministro sai em defesa da carne de porco

Jornal do Brasil

BRASÍLIA - O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, fez um apelo quarta-feira para que a população brasileira continue a consumir carne de porco, já que não existe qualquer risco de se adquirir a gripe suína por meio de sua ingestão.

Não há nenhum problema em se comer carne suína. A grande preocupação nossa é que se crie a ideia de que comer carne de porco faz mal. Não faz. Propaga-se a ideia de que é o suíno que transmite o vírus aos humanos, o que também não é verdade afirmou o ministro.

Na tentativa de tranquilizar a população quanto ao consumo do porco, Stephanes disse que vai sugerir ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para, juntos, consumirem carne suína em um restaurante na semana que vem, caso o alarme sobre a doença se mantenha.

Com certeza vou convidar o presidente da República, na próxima semana, para irmos a um restaurante ou fazermos um porco no rolete. Certamente, nós vamos fazer, ou então vamos consumi-lo na Embrapa.

O ministro disse ainda não concordar com a denominação de gripe suína para a doença, uma vez que o vírus não é transmitido por porcos. Na avaliação de Stepnhanes, o governo brasileiro deveria tratá-la de gripe mexicana.

Pela história de outras gripes, elas levaram o nome do local onde surgiram reclamou Stephanes.

Segundo o ministro, caso a gripe atingisse suínos brasileiros, não haveria risco de disseminação da doença entre os animais.

Se isto vier a acontecer, temos um caminho de organização institucional do ministério que nos permitirá imediatamente isolar a área e evitar a propagação. São granjas bem organizadas e tudo foi estruturado.

De acordo com Stephanes, técnicos da Embrapa vêm trocando informações com os Estados Unidos para a produção de uma vacina capaz de conter o vírus da gripe suína entre os animais, por precaução.

Vão começar na sexta-feira a fazer testes sobre que tipo de vacina pode criar reação informou.

Viagens

O surto de gripe suína tem feito muitos brasileiros reavaliarem suas viagens ao México, especialmente para Cancún. É o caso do bancário João Paulo Balbino de Moraes, 28 anos. Ele, a mulher e um casal de amigos compraram em abril um pacote para Cancún. A viagem está marcada para o fim de maio.

Estamos planejando a viagem desde o ano passado diz Moraes.

Agora, os dois casais estão avaliando uma alteração nos planos, principalmente depois de saber que o voo faz escala na Cidade do México, que concentra a maior parte dos casos da doença. Segundo Moraes, a agência de viagens avisou que cobrará multa em caso de cancelamento: 10% do valor do pacote para rescisão com mais de 30 dias de antecedência, e 20% após esse período.

Evandro Zuliani, diretor de atendimento da Fundação Procon-SP, ressalta que os turistas são protegidos pelo Código de Defesa do Consumidor e, nesse caso, podem cancelar o contrato sem multa e receber o valor pago integralmente.

O Código informa que é direito básico do consumidor a modificação das cláusulas contratuais que estabeleçam prestações desproporcionais ou sua revisão em razão de fatos supervenientes que as tornem excessivamente onerosas .

Sobrevindo um fato imprevisível (como o surto de gripe), é possível fazer alteração na base do contrato explica Zuliani. Cobrar multa ou taxa significa que o risco foi atribuído ao consumidor.

O diretor do Procon destaca ainda outro trecho do Código, que dá ao consumidor o direito à proteção da vida, saúde e segurança contra os riscos provocados por práticas no fornecimento de produtos e serviços .

Assim, multas por cancelamento não devem ser cobradas do consumidor. A regra vale para qualquer destino cuja permanência implique risco à saúde por situação não prevista, segundo Zuliani. Caso o cliente queira remarcar a viagem, também não pode haver taxa. Isso se aplica também às companhias aéreas. Lan e AeroMexico já informaram que vão atender às solicitações para alteração de data e destino nas passagens aéreas sem multa.

(Com agências)