Gripe suína: país pronto para o inevitável

Norma Moura , Jornal do Brasil

BRASÍLIA - O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, admitiu quarra-feira que a gripe suína deve chegar ao Brasil. Apesar do segundo aumento em menos de 48h do nível de alerta de transmissão da doença, Temporão afirmou não haver motivo para pânico. O ministro informou que foram adquiridos 12.500 kits de tratamento para uso imediato e que o país tem matéria prima em estoque para produzir rapidamente medicamentos para atender até 9 milhões de infectados, além de toda a rede de vigilância em alerta e pronta para receber os pacientes.

Seria irresponsabilidade dizer que ela não vai chegar aqui, mas estamos prontos para combatê-la tranquilizou Temporão.

Monitoramento

O ministério da Saúde divulgou quarta-feira que duas pessoas, uma de Minas Gerais e outra de São Paulo, estão isoladas com suspeita de estarem com o vírus influenza A (H1N1). Elas se enquadram no protocolo internacional para diagnóstico da doença e estão sob tratamento com o antiviral Tamiflu distribuído pelo fabricante apenas para a rede pública de saúde.

Segundo o relatório da Anvisa divulgado às 20h de quarta-feira, outras 36 pessoas em 11 estados brasileiros estão sob monitoramento com sintomas semelhantes aos da gripe suína, mas não são consideradas ainda como suspeitas de possuírem a doença. Elas serão liberadas à medida que os hospitais de referência descartarem a possibilidade do contágio. Os resultados dos exames laboratoriais realizados em todos os pacientes devem ficar prontos em até 10 dias.

O Ministério da Saúde vai regular a distribuição do Tamiflu. Quarta-feira foram enviados preventivamente 200 kits de tratamento completo para o Rio de Janeiro e outros 200 para São Paulo. Os demais estados devem receber quinta-feira 20 tratamentos cada.

Essa quantidade pode ser alterada conforme a velocidade de transmissão e o acompanhamento epidemiológico explicou o presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Dirceu Raposo. Pernambuco pode precisar de mais medicamentos devido ao grande fluxo de aeronaves.

Estado de alerta

Desde o último sábado, todas as secretarias estaduais de saúde foram acionadas para intensificar o monitoramento e a detecção pela rede de vigilância de pessoas possivelmente contaminadas.

A confiança de Temporão na capacidade do país enfrentar a doença deve-se à existência do Plano de Preparação Brasileiro de Enfrentamento de uma Pandemia de Influenza. O plano, que começou a ser implementado em 2005 por causa da gripe aviária, com o treinamento dos estados para aplicá-lo, abrange uma rede interligada para troca de informações em tempo real entre vários órgãos governamentais, como o Gabinete Institucional da Presidência da República e a Anvisa, e a rede de vigilância

O pior neste momento é a insegurança. Tomar remédios para gripe comum não adianta contra a influenza A, e ainda pode mascarar ou atenuar sintomas da doença alerta o ministro. Temos medicamento adequado e suficiente estocado na rede de hospitais públicos para atender os suspeitos de terem contraído a doença.

Controle intensificado

Com o alerta contra a doença na fase 5, a Anvisa anunciou quarta-feira que vai monitorar todos os voos internacionais que chegarem ao Brasil, e não apenas os oriundos de áreas de risco. O controle sanitário nos portos também será intensificado. As embarcações deverão comunicar qualquer suspeita de gripe suína às autoridades sanitárias e permitir ações de controle.

Temporão descartou a possibilidade de suspender voos ligando o Brasil aos países afetados. O ministro afirmou que o Ministério da Saúde segue rigorosamente as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS). Até o momento a entidade não emitiu nenhum comunicado orientando os países a tomarem medidas mais drásticas, como restringir o trânsito de pessoas. A última vez que a OMS recomendou suspensão de voos foi para Hong Kong, por 40 dias, o que reduziu o PIB da província asiática em 4,5%.