Cariocas correm para comprar máscara

André Luiz Barros , Jornal do Brasil

RIO - A gripe suína já assusta mesmo os cariocas, e a procura por máscaras cirúrgicas para proteção contra a doença pegou de surpresa donos de lojas especializadas. Só nos últimos três dias, sete mil máscaras foram vendidas numa loja em Ipanema: quase o triplo da demanda média.

Só ontem vendemos duas mil máscaras, já temos um caderno de reservas, e estamos entregando até em domícilio. Estou com o artigo esgotado nas duas unidades da loja declarou Jaime Hermes, gerente da Toque Médico, loja especializada em artigos de saúde, que tem filial na Barra da Tijuca.

A loja que costuma pedir duas mil unidades por mês, teve que aumentar a encomenda para 10 mil por dia, diz o gerente.

Quarta-feira, uma fila de pessoas chegou a se formar dentro do estabelecimento, à espera da nova remessa do material que tinha se esgotado desde o dia anterior. Assim que chegaram, todas as unidades foram vendidas, e nem todas as pessoas que estavam na fila conseguiram ser atendidas. Vitor Vieira, de 23 anos, programou sua viagem para Miami há dois meses. Com medo, ele e a mãe se resguardam com o artigo médico.

Reservei 100 máscaras pra hoje e outras 100 para buscar no sábado. Estou muito inseguro e ainda corro o risco de desistir da minha viagem desabafa o estudante.

A mãe de Vitor também está receosa.

Comprei umas extras pra usar aqui no Rio também. Por aqui passam muitos turistas. Não quero deixar minha família vulnerável a essa pandemia mundial explica Fátima Vieira, moradora de Ipanema. O pior é encontrá-las. Não acho essas máscaras em farmácias comuns reclama.

A dificuldade para conseguir o material também foi um problema para o motorista Douglas Cavalcante, de 28 anos, que comprou as máscaras a pedido da patroa, uma dona de casa que mora em Ipanema e não economiza na prevenção.

Já procurei essas máscaras na Barra, no Centro do Rio e até em Bonsucesso no subúrbio. Já encomendei cem para amanhã.

O aumento da procura no entanto já pôde ser sentido no bolso daqueles que já estocam máscaras, mesmo sem a confirmação do vírus na cidade do Rio.

Ontem cinquenta unidades custavam R$ 15, hoje já pago R$ 17 pela mesma quantidade - conta Douglas. Segundo o gerente da loja de Ipanema, o aumento foi causado devido a troca no fornecedor.

Tanta precaução, por ora, pode ser vista como um exagero. Segundo o infectologista Roberto Medronho, da UFRJ, a máscara é mais apropriada para quem vai a áreas de risco, já que a infecção se dá principalmente por vias respiratórias. Nesse caso, deve ser trocada de cinco em cinco horas, no ideal.