Gripe suína: indústria nacional teme desinformação

Gabriel Costa, Jornal do Brasil

RIO - Representantes da indústria nacional de criadores, produtores e exportadores de produtos de origem suína temem que a disseminação da nova versão do vírus H1N1 prejudique os negócios do setor. Apesar das informações de que o consumo de carne de porco não causa a doença, uma vez que o cozimento a 70 graus Celsius destruiria o vírus da gripe, no entanto, o receio já se espalha pela população.

Segundo o presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs), Pedro de Camargo Neto, a constatação é que ainda não houve queda do consumo, do ponto de vista do mercado brasileiro.

Nenhum país suspendeu as importações provenientes do Brasil disse.

O presidente da Abipecs afirma, no entanto, que existe certa paralisia nos negócios em função da expectativa do que possa ocorrer nos próximos dias. Terça-feira, Neto enviou um ofício à diretora geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Margaret Chan, pedindo a mudança de denominação da doença. O presidente da Abipecs chama atenção para a necessidade de as autoridades brasileiras e internacionais explicarem corretamente o que está acontecendo para evitar perdas aos produtores.

Outras entidades da cadeia produtiva brasileira também liberaram um comunicado com esclarecimentos a respeito do que denominaram como influenza americana . A nota, assinada por representantes de grupos como a Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) e o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para a Saúde Animal (Sindan), cita o comunicado divulgado pela Organização Internacional de Saúde Animal (OIE) que afirma ser inapropriado denominar o vírus de gripe suína.

Isto pelo simples fato de que até agora não há registro de que o vírus tenha sido isolado no animal e seus mecanismos de contaminação estejam cingidos à relação entre humanos , diz a nota.

A preocupação dos representantes do setor parece ser justificada. Consumidores já olham com desconfiança o consumo dos produtos de origem suína.

Eu acho que ninguém vai querer comer carne de porco por enquanto. Não temos certeza se o contágio é feito pelo consumo. Além disso, carne de porco sempre exigiu muito cuidado, porque tem também a questão dos vermes. Vou ficar só no filet mignon e na picanha, mesmo brinca o consultor tributário Thiago Passos.

Oportunidade

Já a Associação dos Suinocultores do Estado de Minas Gerais (ASEMG) estima que os embargos a outros grandes produtores de carne suína gripe, como Estados Unidos e o México, podem abrir portas para o Brasil o quarto maior exportador mundial em 2008.

A carne suína brasileira foi exportada no ano passado para 76 países, com faturamento superior a US$ 1 bilhão dólares. Em março, as exportações do produto atingiram US$ 104,16 milhões, acima dos US$ 102,25 no mesmo mês de 2008.