Mídia e universidades se aproximam pela tecnologia

Rodrigo de Almeida, Jornal do Brasil

RIO - No mundo das mudanças, da inovação e do conhecimento, a mídia e as universidades têm hoje um ponto em comum: atravessam o que o economista austríaco Joseph Schumpeter chamou, na década de 40, de destruição criativa a substituição do velho pelo novo por meio de processos inovadores. Tanto essa fronteira entre o velho que não desapareceu ainda e o novo que está por surgir, quanto a conjugação de esforços entre profissionais de mídia e educadores para o desenvolvimento foram temas de destaque de reunião do Fórum de Reitores do Rio de Janeiro, realizada segunda-feira na Universidade Candido Mendes.

O encontro teve a presença de reitores, do ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, e de Marcos Troyjo, CEO da Companhia Brasileira de Multimídia (CBM). Os reitores apresentaram ao ministro uma série de demandas das universidades particulares fluminenses, entre as quais mudanças na Lei 9.879, conhecida como lei do calote , que permite ao aluno ter aulas sem pagar a mensalidade.

A universidade pública não se expandiu o suficiente, e a privada enfrenta problemas sérios com seus custos disse, na abertura do encontro, o professor Candido Mendes, presidente do Fórum de Reitores. Não podemos continuar com a lei do calote, tendo uma inadimplência entre 18% e 20% nas universidades. Com a lei, o aluno pode não pagar a mensalidade, matricular-se e migrar para outra escola, transformando-se em aluno clandestino do ensino superior.

O ministro José Múcio concordou e prometeu trabalhar para rever a legislação:

Essa lei foi feita num clima de demagogia, politização e ideologização. O calote é um desestímulo à universidade e ao ensino superior afirmou o ministro, arrancando aplausos dos reitores presentes.

Novas mídias e educação

Um dos principais eixos do debate foi a relação entre educação, inovação e desenvolvimento.

O mundo se encontra em meio a uma inédita e dramática revolução de tecnologias e costumes disse Marcos Troyjo. Por essa razão os meios tradicionais de comunicação e educação estão desafiados a mudar para um ambiente de alta densidade tecnológica.

Por essa nova realidade, entenda-se o crescimento exponencial do uso da internet, dos celulares e de novas ferramentas como o Kindle (plataforma de leitura eletrônica de livros, jornais ou busca no Google). Troyjo lembrou que a venda de computadores supera hoje a de TVs, e por sua vez a comércio de celulares é maior do que o de PCs.

Há 4 milhões de usuários de telefone celular em Guarulhos, contra cerca de 3 milhões de assinantes de jornal no Brasil inteiro exemplificou. O New York Times, maior jornal do mundo, perdeu 50% de sua circulação nos últimos cinco anos.

Para Troyjo, as universidades, como os jornais, precisam repensar as plataformas com as quais trabalham. A destruição criativa está na revisão dos meios tradicionais de produção e difusão de conteúdo de informação e de conhecimento e reconstrução de novos conceitos. Isso implica recorrer a webcursos, por exemplo. Ou apostar no celular como ferramenta de interação.

Troyjo citou ainda o exemplo de Lawrence Summers, secretário do Tesouro no governo de Bill Clinton e professor de Harvard e hoje diretor do Conselho Econômico da Casa Branca. Summers vem montando um arquivo de palestras, cursos e aulas magnas e disponibilizando-o na internet.

O professor Candido Mendes ressaltou a redução crescente da busca de livros nas bibliotecas:

As bibliotecas se transformaram numa ferramenta obsoleta, mas a internet ainda não oferece conhecimento consorciado.

Professores e inovação

Ex-reitor da UFRJ e reitor da Universidade Castelo Branco, o professor Paulo Alcântara defendeu um melhor entendimento entre o governo federal e o setor privado.

Mais de 50% da oferta do ensino superior está no setor privado, portanto somos co-responsáveis pela educação universitária e tecnológica. Governo e universidades precisam rever programas afirmou Alcântara, sublinhando a necessidade de parceria público-privada no ensino, com programas melhor destinados às necessidades das empresas.