SP: mulheres saem da prisão às 5h para trabalhar em grife

Portal Terra

SÃO PAULO - A grife Daspre, projeto desenvolvido por mulheres presas de três penitenciárias da cidade de São Paulo, conta com 68 mulheres na 'linha de produção'. São 40 apenadas do regime fechado e 28 no sistema semi-aberto.

Uma das beneficiadas pelo programa é Dagmar da Silva, 44 anos. Presa em 1995 por latrocínio, deve ser libertada em um ano e cinco meses. O erro, segundo ela, ficou no passado.

Os últimos dias na prisão, Dagmar cumpre fora do ambiente do sistema penitenciário. Ela e mais 12 internas da Penitenciária Feminina do Butantã saem todo dia às 5h para trabalhar na Oficina Experimental Daspre, na Sede da Funap.

Dagmar trabalha com costura e faz artesanato, além de enfeitar chinelo e criar colares e acessórios. - Nunca imaginei que eu iria fazer isso, mesmo tendo feito na rua um curso de corte e costura a pedido da minha irmã. Eu não queria trabalhar e só vivia mesmo na vida bandida - diz a interna, que desde 99 trabalha em oficinas ligadas a Funap.

- É maravilhoso poder estar aqui fora e ver pessoas que te respeitam dando uma oportunidade - diz ela, que perdeu os pais enquanto estava presa e não pode acompanhar a criação dos quatro filhos. - Agora eu quero ver os meus três netos crescerem. E, para isso, quando eu sair, quero aproveitar o que eu aprendi e trabalhar - acrescentou.

Fabiola Matos de Andrade está presa há dois anos por latrocínio e tem quatro anos para cumprir de pena. Já no regime semi-aberto, ela também trabalha todos os dias na oficina fazendo acessórios como brincos, além de capa para travesseiros, chinelos e bolsas. Para "bater o cartão" na oficina da Daspre, às 7h30, ela acorda cedo, às 4h30.

- Eu nunca tinha trabalhado na minha vida e jamais imaginei fazer o que eu faço aqui dentro - confessa. Tímida, ela revela que pretende estudar ainda mais sobre costura e continuar no segmento quando ganhar a liberdade. - Acho que esse projeto é muito bom e colabora com a ressocialização das mulheres - prossegue.

Dagmar concorda com Fabíola: 'a Daspre foi a melhor coisa criada pela Funap, porque nos dá a chance de crescer e sonhar com uma vida decente'.

Mas para ingressar na grife das presas não basta querer. É preciso antes passar por um curso oferecido para um grupo de 12 presas, com duração de aproximadamente três meses. A seleção das participantes é feita pela própria Funap e leva em conta as habilidades para o artesanato e, principalmente, o bom comportamento.

Já passaram pelo curso cinco turmas da Penitenciária de Sant'Anna. Atualmente, outras 12 presas da mesma casa passam pela capacitação, além de uma turma da penitenciária do Butantã. Por cumprirem pena em regime semi-aberto, as detentas do Butantã aprendem as técnicas diferenciadas de artesanato e confecção na sede da Funap, na Oficina Experimental que leva o nome da grife.

Após a conclusão do curso, as presas que desejam continuar trabalhando têm a oportunidade de ser contratadas pela Funap e recebem cerca de R$ 300 por mês, além de ter um dia de pena reduzido a cada três trabalhados.