Sequestro em reserva do Paraná completa cinco dias

Agência Brasil

CURITIBA - O sequestro de um antropologo e dois funcionários de uma empresa terceirizada completa cinco dias nesta terça-feira. Os três estão detidos na Reserva Barão de Antonina, em São Jerônimo da Serra, no norte do Paraná. São eles, o antropólogo da Companhia Paranaense de Energia (Copel) Alexandre Húngaro da Silva e dois funcionários de empresas terceirizadas que prestam serviço para a estatal.

Os índios mantêm os três homens em cativeiro como forma de garantir o prosseguimento das negociações com a estatal para o pagamento de indenização pelo uso de terras da reserva, onde estão instaladas 14 torres de transmissão de energia. Ninguém está conseguindo entrar ou sair da aldeia sem autorização do cacique.

A Funai manteve as negociações com os índios, sem sucesso. Uma reunião que seria realizada para negociar a antecipação do pagamento de indenização que é solicitada pelos índios será adiantada, mas apenas se os reféns forem libertados, informou a rádio CBN.

Segundo a rádio, os reféns estão sendo bem tratados e podem circular livremente pela reserva, mas não podem abandonar o local.

O representante da Fundação Nacional do Índio (Funai), em Londrina, Marcos César da Silva, disse que esteve na reserva na tarde de sábado e que, apesar do clima tenso na aldeia, os reféns estão bem. Segundo ele, a administração da Funai em Londrina está tentando, por telefone, negociar a libertação dos homens.

José Almir Torres Quintanilha, 28 anos, e seu irmão, Valmiron Torres Quintanilha, 30 anos, foram feitos reféns na última quinta-feira, quando faziam o trabalho de inspeção de rotina na aldeia. O antropólogo foi ao local no dia seguinte tentar uma negociação e também foi dominado pelos índios.

As mulheres de José e Valmiron, Lúcia e Josilene Torres, disseram que o último contato com eles foi na noite de ontem. - Os dois disseram que estão sendo bem tratados. Estão em uma sala com colchões e cobertas. Os índios têm permitido que a Copel envie a alimentação. Mas estamos preocupadas, porque os índios já avisaram a eles que se a polícia invadir a reserva a situação vai se complicar - contou Josilene.

Elas disseram que os maridos estão na expectativa de serem libertados apenas nesta quarta-feira, após reunião entre representantes da aldeia com o Ministério Público Federal (MPF), Funai e Copel para discutir os valores da indenização.

O impasse teria começado porque essa reunião, anteriormente agendada para o último dia 18, foi cancelada. Os índios não foram informados sobre isso e compareceram ao local marcado. Segundo a assessoria de imprensa da Copel, em Londrina, manter os reféns é uma forma de garantir as negociações.

A assessoria informou que o pagamento pelo uso da reserva, no valor de R$ 25 mil, é feito todos os meses e não está atrasado. O que está sendo discutido agora é uma indenização por danos culturais e ambientais da área. A Copel ofereceu uma cota de R$ 1 milhão, mas os índios disseram que querem um valor maior.