Agentes da Abin confirmam à CPI participação em operações da PF

Agência Brasil

BRASÍLIA - O relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Escutas Telefônicas Clandestinas da Câmara, deputado Nelson Pellegrino (PT-BA), informou que o agente da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Lúcio Fábio Godoy de Sá disse nesta terça-feira à comissão que, durante sua participação na Operação Satiagraha, da Polícia Federal, manuseou materiais de escutas telefônicas envolvendo o israelense Avner Shemesh. O israelense é acusado de ter sido contratado pela empresa Kroll para fazer interceptações ilegais no país.

- Vamos atrás, agora, desse material [da Operação Satiagraha], que consideramos fundamental. Duas pontas do relatório ficaram em aberto: uma, é a participação da Abin na Operação Satiagraha, e a outra, a participação da Kroll no episódio da escuta entre Daniel Dantas e o City [Group] - afirmou Pellegrino.

O relator disse ainda que, tanto Godoy como o outro agente da Abin Jerônimo Jorge da Silva Araújo, também ouvido nesta terça, confirmaram que participaram da Satiagraha atendendo a ordens do setor de inteligência da própria Abin. Eles reafirmaram também, segundo Pellegrino, que o delegado Protógenes Queiroz teria dito que se tratava de uma operação de interesse internacional.

De acordo com o relator da CPI dos grampos, os agentes da Abin negaram que tenham manuseado qualquer material que envolvesse o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ou algo que comprometesse a Presidência da República.

Novamente, Pellegrino lamentou a decisão do juiz Fausto De Sanctis de não compartilhar com a CPI os dados da Operação Satiagraha. Ele afirmou que tentará novo contato com o juiz Luiz Renato Pacheco, responsável pelo processo da Chacal, para tentar obter novos dados sobre a operação.

Neste momento, a CPI ouve o depoimento do oficial de Inteligência da Abin Márcio Seltz.