Anestesistas vão suspender atendimento pelo SUS em Alagoas

Agência Brasil

MACEIÓ - Depois que mais de 400 médicos autônomos de Alagoas suspenderam em definitivo o atendimento ao público por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), 50 anestesistas devem apresentar nesta segunda-feira pedido de descredenciamento. De acordo com o presidente do Sindicato dos Médicos de Alagoas (Sinmed/AL), Wellington Galvão, a categoria já conta com 90% das assinaturas. A previsão é de que, até o fim do mês, os cirurgiões se juntem ao movimento.

No momento, segundo Galvão, apenas o Hospital Universitário de Maceió realiza atendimentos pelo SUS, mas essa demanda representa somente 5% dos alagoanos. Em média, 5 mil cirurgias eletivas deixaram de ser feitas no estado desde julho do ano passado, quando começou o movimento dos médicos.

Em dezembro, a Defensoria Pública Estadual e o Ministério Público decidiram intervir na negociação, e os médicos voltaram ao trabalho. No dia 19 de janeiro, entretanto, eles retomaram a paralisação e se descredenciaram em definitivo. Atualmente, os 400 profissionais atendem a população apenas por meio de convênios e consultas particulares, mas Alagoas chega a registrar 92% das pessoas sem plano de saúde.

Na Maternidade Santa Mônica, a única que oferece atendimento de alto risco no estado, os pediatras e obstetras entraram com um pedido de demissão coletiva, que vence no próximo dia 16. Mães e bebês estão sendo atendidos apenas até que o aviso prévio apresentado pela categoria seja cumprido. - Se não houver entendimento, vai fechar - ameaçou o presidente do sindicato.

- A insatisfação é muito grande. A tendência é o médico pedir demissão mesmo - enfatizou.

Segundo Galvão, uma comparação entra a tabela do SUS e aquela que é paga por meio de convênios mostra uma defasagem de até 1.600%, dependendo do procedimento a ser realizado. Uma consulta com um especialista, por exemplo, sai por R$ 10 - R$ 7,50 para o médico e R$ 2,50 para o hospital. Já na atenção básica, a consulta fica por R$ 2,74. A tabela do governo, de acordo com o sindicato, não é reajustada há 12 anos. - É um valor imoral. Ninguém trabalha mais para o SUS - concluiu.