Polícia de SP prende cinco vereadores; um escondido num armário

Da redação, Portal Terra

RIBEIRÃO PRETO - O presidente da Câmara de Igarapava (SP), Alan Kardec Mendonça (PSDB), que estava foragido, foi preso na manhã desta quinta-feira ao ser encontrado atrás de um armário, no almoxarifado da prefeitura. Outros quatro vereadores foram presos na quarta-feira durante uma reunião em que fechavam um esquema de extorsão, segundo a polícia. Todos são suspeitos de exigir dinheiro da prefeitura em troca de aprovação de projetos na Câmara.

"Houve uma denúncia anônima informando que Mendonça estaria dentro do setor de arquivos. Como é funcionário, ele conhece bem as instalações. E, por ter sido o primeiro a sair da reunião, na quarta-feira, percebeu a presença da polícia do lado de fora e entrou no prédio da prefeitura. Tudo indica que ele tenha passado a noite lá, onde foi encontrado atrás de um armário nesta manhã", relatou o delegado.

As prisões de José Laudemiro Alves (DEM), José Eurípedes de Souza (PT), Sérgio Augusto Freitas (PTB), Roberto da Silveira (PSDB) e de Mendonça foram pedidas pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) da cidade de Franca.

Na casa de José Eurípedes, a polícia encontrou cerca de R$ 800 mil em dinheiro e cheques, uma arma calibre 32 e munições para calibres 22, 32 e 38. Um computador, que vai ser examinado pela perícia, também foi apreendido na residência.

Outro dos quatro vereadores presos, Sérgio Augusto Freitas, também era investigado pela polícia, acusado de ser o mandante do assassinato do prefeito Gilberto Soares dos Santos, em 1998. Freitas era vice-prefeito na época do crime.

Escutas autorizadas pela Justiça e monitoramentos feitos em campanhas revelaram que o grupo chegou a se reunir fora da Igarapava, cidade com 26 mil habitantes e nove vereadores. O prefeito Francisco Tadeu Molina (PSDB) também era alvo da investigação, mas, até então, não teria pago o que os vereadores pediam. A assessoria de imprensa da prefeitura disse que o prefeito ainda não se manifestou sobre o ocorrido.

Os cinco foram indiciados formalmente por concussão, que consiste na exigência de vantagem indevida em função do cargo público, e formação de quadrilha. Mendonça prestou depoimento por duas horas e, assim como os demais vereadores, não respondeu às perguntas. "Ele negou a participação no crime e disse desconhecer qualquer tipo de extorsão por parte dos vereadores", afirmou o delegado.

Os advogados de quatro vereadores entraram na Justiça com um pedido de habeas corpus. Todos estão detidos na cadeia de Pedregulho.