TJ manda soltar médico e empresário suspeitos de pedofilia

Jornal do Brasil

SÃO PAULO - O Tribunal de Justiça de São Paulo concedeu habeas-corpus ao médico Wagner Rodrigo Brida Gonçalves e ao empresário José Emmanuel Volpon Diogo, que tiveram a prisão temporária por 30 dias decretada na semana passada, sob suspeita de integrar uma suposta rede de pedofilia que agia em Catanduva (SP). Eles estavam foragidos. Os dois devem depor nesta quinta-feira na CPI da Pedofilia, que está na cidade paulista.

Nesta quarta-feira, durante a sessão da CPI da Pedofilia em Catanduva, a delegada Rosana da Silva Vani admitiu aos senadores ter avisado com antecedência o advogado do médico sobre a blitz que faria na casa dele para apreender computadores. Nas máquinas, poderiam conter provas da participação de Gonçalves na suposta rede de pedofilia, que teria abusado de pelo menos 40 crianças moradoras nos bairros Jardim Alpino e Cidade Jardim, na periferia da cidade.

Rosana comandava as investigações em um segundo inquérito sobre a existência da rede, quando, em 20 de fevereiro, chamou o advogado até a Delegacia da Mulher para avisá-lo sobre a ação. O advogado saiu antes da delegacia e teve tempo para ligar para seu cliente, antes que os policiais chegassem na casa do médico, uma mansão no Jardim do Bosque, bairro de classe alta de Catanduva. Quando os agentes entraram na residência encontraram apenas um monitor e um modem ligados. A CPU havia sido retirada momentos antes.

A declaração da delegada irritou os senadores, que não esperavam pela afirmação. - A senhora entregou o jogo para os adversários aos 47 minutos do segundo tempo - reagiu o senador Magno Malta. A delegada concordou que errou ao avisar o advogado. Para os senadores, o erro foi primário para uma mulher de 18 anos de profissão. O caso foi relatado para a Corregedoria da Polícia Civil para investigação.

Contradição

Mães de crianças que relataram os abusos tentaram agredir, no final dos trabalhos, a suposta namorada do empresário Diogo, Solange Cristina Barrison, que prestou depoimento. A comissão relatou teor de escutas feitas entre os telefones do empresário e da namorada, que entrou em contradição ao apontar origens de algumas ligações.

Outros depoimentos que marcaram o primeiro dia da CPI em Catanduva foram do pai e da mãe de três crianças molestadas. O casal apareceu mascarado e contou detalhes do que aconteceu com seus filhos. Uma das crianças foi mutilada e outra adquiriu doença venérea. Exames de corpo de delito comprovaram os abusos.