Senadores cobram ação de Sarney após denúncia de nepotismo

Portal Terra

BRASÍLIA - Senadores cobraram nesta segunda-feira que o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), tome uma atitude imediata e demita dos cargos os diretores que empregam familiares em empresas que prestam serviço ao Senado.

De acordo com matéria publicada no domingo pelo jornal O Globo, pelo menos três diretores do Senado encontraram uma saída para burlar a lei que proíbe o nepotismo nos Três Poderes.

A alternativa encontrada teria sido justamente essa: em vez de contratar parentes para cargos no Senado, os familiares estão indo trabalhar em empresas ligadas ao Senado.

Na visão do senador Demóstenes Torres (DEM-GO), a denúncia exige uma atitude imediata de Sarney demitindo os funcionários envolvidos. "Isso é um absurdo. A lei existe, é norma constitucional, deve ser cumprida. Não tem que encontrar maneira de escamotear. Os servidores têm que ir embora mesmo. (Sarney) precisa tomar essa medida urgente. Não adianta querer esconder nada", disse o senador.

Para o senador José Agripino Maia (DEM-RN), as denúncias precisam ser apuradas e se comprovada a irregularidade, o caso requer punição imediata.

- Virou moda a denúncia. Toda denúncia tem que ser apurada, agora não se pode tomar nenhuma providência sem a constatação de fatos concretos. Se estiver acontecendo é um fato lamentável, deplorável que merece punição a altura porque se trata de uma ilegalidade escachada- afirmou.

Na visão do senador Renato Casagrande (PSB-ES), esta e outras denúncias comprovam que existe um grupo que se acha "dono" do Senado e que pode fazer o que bem entender sem ser descoberto.

- Algumas pessoas acham que o Senado é propriedade privada deles, acham que uma instituição tão importante como o Senado está à disposição de meia dúzia e de suas famílias- disse.

- O fato requer uma ação forte e transparente de Sarney. Essas notícias que estão surgindo são todas muito ruins, mas isso dá a ele a possibilidade de tomar medidas duras e mudar a situação no Senado- afirmou.

O presidente do Senado ainda não comentou o assunto. Já o primeiro secretário da Casa, senador Heráclito Fortes (DEM-PI), disse que vai se reunir com o presidente Sarney para depois anunciar a imprensa que medida será tomada em relação ao assunto.