Estudantes reivindicam auxílio para bolsistas do ProUni

Agência Brasil

BRASÍLIA - A democratização do acesso ao ensino superior é citada por quase todos os bolsistas e especialistas em educação como o maior avanço trazido pelo Programa Universidade para Todos (ProUni). Desde 2005, mais de 430 mil estudantes de escolas públicas e renda familiar per capita inferior a três salários mínimos ingressaram em uma universidade privada por meio do programa, e todos os entrevistados pela Agência Brasil demonstram satisfação pelo resultado. Entretanto, eles também têm sugestões de melhorias para o ProUni. A principal delas é a criação de um "auxílio-permanência" para os universitários bolsistas.

Segundo a presidente da União Nacional do Estudantes (UNE), Lucia Stumpf, muitos estudantes que conseguem uma bolsa de estudos por meio do ProUni acabam não concluindo o curso, pois não têm condições de arcar com custos de transporte, alimentação ou com a compra de livros e materiais.

- Mesmo conseguindo uma bolsa integral, na mensalidade, o estudante da periferia não consegue pagar sua condução, um lanche na cantina que é caro. Ele precisa de um apoio, uma bolsa capaz de subsidiar, não só a mensalidade, mas também a sua condução e alimentação - disse.

A bolsista recém-formada, Camila Correia dos Santos, 25 anos, confirma a dificuldade dos bolsistas em se manter na universidade. Durante os quatro anos em que cursou Odontologia na Universidade Paulista (Unip), ela pagou o transporte e R$ 10 mil em equipamentos odontológicos com o que ganhou como operadora de telemarketing e com a ajuda da mãe.

- Minha mãe me ajudou muito. Ela vendia tempero, feijoada, tudo para me ajudar a pagar a faculdade - lembra ela, que conseguiu subsídio de 100% das mensalidades do curso. - Uma ajuda seria importante. Se tivesse conseguido, poderia não ter passado por vários sofrimentos - recorda.

Bruno Silva, 21 anos, bolsista no curso de Jornalismo, pede a redução da burocracia. De acordo com ele, muitos estudantes que cumprem os requisitos para conseguirem as bolsas acabam não sendo contemplados, pois não apresentam os documentos exigidos pelo governo federal. - Muitas vezes, sobraram bolsas por causa da burocracia - disse.

Já a pesquisadora Leda Maria de Oliveira Rodrigues, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), pede mudanças mais profundas. Para a pesquisadora, o ProUni acaba priorizando o ensino superior privado e deixa de lado o público. - O Prouni é tampar o sol com a peneira. Porque não investir na escola e na universidade pública? - indaga.

A secretária do Ensino Superior do Ministério da Educação (MEC), Maria Paula Bucci, defende o programa e diz que ele atende a um público muito específico e estratégico. Quanto a auxílio-permanência, ela afirmou que o MEC estuda formas de evitar a evasão dos bolsistas. Uma delas é aumentar o número de estágios remunerados oferecidos pelas próprias universidades.