CPI das Escutas pode investigar denúncia de Jarbas contra a Kroll

Agência Câmara

BRASÍLIA - O relator da CPI das Escutas Telefônicas Clandestinas, deputado Nelson Pellegrino (PT-BA), defendeu hoje a prorrogação dos trabalhos da comissão por 60 dias e disse que, se o prazo for prorrogado, a comissão poderá ouvir o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) para que ele contribua nas investigações sobre a empresa Kroll.

Na semana passada, o senador disse à imprensa que desconfia estar sendo monitorado pela Kroll, a pedido de integrantes do PMDB. Pellegrino lembrou que a Kroll é investigada pela Operação Chacal, da Polícia Federal, por suspeitas de fazer escutas ilegais. - A Kroll é uma velha conhecida da CPI, mas como a Operação Chacal está sob sigilo, não foi possível investigar se houve ou não escutas telefônicas feitas por essa empresa - afirmou Pellegrino.

O relator da CPI disse esperar que o Judiciário compartilhe o material de operações que ainda estão sob sigilo, como a Operação Chacal. O presidente do Senado, José Sarney, já pediu à Polícia Federal que apure a denúncia de Jarbas contra a Kroll.

Pellegrino lembrou que a CPI recebeu na semana passada 11 volumes do inquérito que investiga possíveis irregularidades do delegado Protógenes Queiroz durante a Operação Satiagraha, da Polícia Federal. O relator disse que, até agora, leu apenas o primeiro volume, mas já constatou que há elementos para prosseguir as investigações. A CPI recebeu dois lotes da Justiça, um deles está sob sigilo e contém mídias de som e imagens.

Pellegrino disse que, se esses volumes contribuírem para as investigações, a CPI poderá concluir se houve grampos contra autoridades que só podem ser investigadas com autorização do Supremo Tribunal Federal (STF).

O relator disse que a primeira pessoa que precisa ser ouvida pela CPI sobre esse caso é o delegado federal Amaro Ferreira, que preside o inquérito. O relator lembrou que Amaro já depôs na CPI em novembro, mas não divulgou as informações necessárias porque a operação tinha sigilo total, o que não ocorre atualmente.

Para o relator, também é necessário ouvir novamente o juiz Ali Mazloum, que encaminhou o material sobre a Operação Satiagraha na semana passada. Pellegrino disse que a CPI poderia ouvir o juiz em reunião reservada.