Protógenes diz que revista cometeu crime ao divulgar dados sigilosos

Portal Terra

BRASÍLIA - O delegado federal Protógenes Queiroz afirmou em seu blog que foi criminosa a divulgação de documentos sigilosos pela revista Veja, que, em sua última edição, o aponta como responsável por uma rede de espionagem que teria como alvos autoridades do Executivo, Legislativo e Judiciário, como a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, além de pessoas do círculo pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como seu filho, Fábio Luiz da Silva.

Protógenes cita especificamente um documento relacionado à investigação presidida pelo delegado de Polícia Federal Amaro Vieira Ferreira que, 'revela a identidade nominal de dois oficiais de inteligência da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), o que é gravissímo'. - Não merece ser desprezado tal fato, pois a banalização fragiliza as instituições no tocante a segurança externa do Brasil - diz.

O delegado reproduz o trecho da reportagem que diz que constam no inquérito da PF "63 fotografias, 932 arquivos de áudio, 26 arquivos de vídeo e 439 documentos em texto", que teriam sido apreendidos "em novembro do ano passado pela Polícia Federal e estavam armazenados em um computador portátil e em um pen drive guardado no apartamento do delegado no Rio de Janeiro".

Protógenes nega que tais documentos tenham sido apreendidos em sua casa. Segundo ele, nada que contivesse dados dados da Operação Satiagraha foi recolhido pela Polícia Federal naquele dia.

Ele cita, no entanto, outra busca feita pela polícia, desta vez em Brasília, na qual foram apreendidos, segundo ele, "poucos documentos e materiais referentes à atividade de inteligência vinculados à operação Satiagraha". Mas afirma que estes "ali estavam em razão de prestar esclarecimentos" às autoridades vinculadas ao caso, como o Ministério Público, por exemplo.

Em crítica à revista, Protógenes afirma que, apesar de ser investigado no inquérito mencionado pela revista, nunca foi ouvido pela Polícia Federal para "dirimir qualquer dúvida a respeito" dos materiais apreendidos. Ele nega que qualquer documento apreendido em seu poder tenha apontado a participação de Dilma Rousseff, do ex-ministro José Dirceu, do chefe de gabinete da Presidência da República, Gilberto Carvalho, do Senador Heráclito Fortes, do senador ACM Jr., ou do ministro Roberto Mangabeira Unger na investigação da Satiagraha. Todos foram citados pela revista como alvos da suposta espionagem comandada pelo delegado.