Roseana evita comemorar cassação de Lago

Karla Correia , Jornal do Brasil

BRASÍLIA - Mais perto de assumir o governo do Maranhão, com a derrota do atual governador Jackson Lago (PDT) no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a senadora Roseana Sarney (PMDB-MA) vê no efeito da crise sobre a arrecadação do estado e sobre os repasses dos fundos federais o maior desafio que terá de enfrentar à frente do Palácio dos Leões, sede do governo maranhense. Roseana admite estar distante das questões de governo em seu estado. Mas, mesmo tendo pouco tempo pela frente no Executivo estadual, contabiliza como vantagem o fato de ter sido governadora do Maranhão por sete anos.

Eu conheço a máquina do estado e vou ter ao meu lado a maioria dos votos na Assembléia Legislativa afirma a senadora, ainda cautelosa ao comentar o que espera enfrentar no governo estadual. Sua posse ainda depende de resultado dos recursos que devem ser apresentados por Jackson Lago contra a decisão do TSE que, por cinco votos a dois, cassou o mandato do governador.

Eu fiquei muito emocionada com o resultado, afinal aquela foi uma eleição em que eu entrei com 70% das intenções de votos e fui para o segundo turno com uma diferença de 20% sobre o segundo colocado. Mas vou encarar os fatos com serenidade e esperar a decisão da Justiça antes de me aprofundar nos problemas do estado.

Afilhado político

O engenheiro civil, empresário e ex-deputado pelo PMDB, Mauro de Alencar Fecury, deve assumir a vaga da senadora Roseana Sarney (PMDB-MA), caso ela seja empossada governadora do Maranhão. Afilhado político da família Sarney, Fecury fez fortuna no ensino superior. É dono do Centro de Ensino Unificado do Maranhão (Ceuma) e do Instituto Euro-Americano de Educação (Unieuro), em Brasília e foi deputado federal por quatro legislaturas, uma delas como constituinte. Chegou a assumir a vaga de senador como suplente de Roseana Sarney em 2005, quando a senadora licenciou-se do cargo por motivos de saúde. Seu filho, o deputado federal Clóvis Fecury (DEM-MA), herdeiro político de Mauro, enveredou-se também no ramo de educação e é sócio da Sociedade Educacional São Luis.

Entre 1977 e 1978, Mauro Fecury foi presidente da Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap), o que alavancou o patrimônio político do engenheiro, nomeado prefeito biônico de São Luis em 1983 pelo então governador do estado, Luis Rocha. Na prefeitura, estreitou laços com o clã Sarney.