Vítimas de pedofilia em Catanduva fazem acompanhamento psicológico

Agência Brasil

SÃO PAULO - Depois das denúncias da existência de uma rede de pedofilia na cidade paulista de Catanduva, as crianças que foram vítimas de abuso sexual e seus pais fazem hoje acompanhamento médico e psicológico para tentar superar o trauma e voltar às atividades habituais. Apesar desse acompanhamento, que é feito uma vez por semana, muitas das crianças ainda não conseguem falar muito sobre o que ocorreu e apresentam um comportamento estranho ao que era comum antes dos abusos. - Eles estão muito revoltados. A impaciência e a intolerância são ainda muito grandes -definiu à Agência Brasil um jardineiro morador do Jardim Alpino, pai de três crianças uma de 10, outra de 8 e a última de 5 anos de idade todas vítimas de abusos sexuais.

Segundo a mulher dele, que é faxineira, uma das crianças também tem dificuldades para dormir. - Ele chora - diz ela, também chorando.

O pai disse que percebeu que os filhos estavam sendo vítimas de abusos sexuais em outubro do ano passado, quando as crianças apresentaram mudança no comportamento.

- Em outubro, o meu menino começou a ficar nervoso, a demonstrar nervosismo em casa. Não podia encostar [nos meus filhos] que eles já brigavam. E aqui em casa [o clima] sempre foi de harmonia. Começamos a notar que eles pioraram na escola. Minha menina não tinha mais coragem de ir ao banheiro sozinha, acordava à noite em desespero - relatou.

Tudo teria começado em julho, quando o filho mais velho o procurou dizendo que queria aprender a consertar bicicletas e a fazer pipas com um borracheiro da cidade, que foi mais tarde reconhecido pelas crianças como um dos abusadores e que hoje está preso em São José do Rio Preto.

Antes de autorizar o filho de frequentar o local, o jardineiro procurou o borracheiro, não percebendo nada de anormal, conversou com a mulher e ambos permitiram que ele fosse à borracharia, que fica próximo de onde moram.

- Para mim, ele [o filho] aprendendo a arrumar bicicleta e a fazer pipa, ele iria se distrair. Ele ia arrumar um tempo para ele, porque eu sinceramente não tinha esse tempo -contou. Percebendo o comportamento estranho dos filhos, os pais passaram a perguntar o que estava ocorrendo, mas não obtinham resposta. - A gente perguntava e eles não falavam porque eram fortemente ameaçados - disse.

Quando os sinais de abuso já eram evidentes, os pais decidiram procurar as autoridades locais para fazer a denúncia, mas tiveram dificuldades para registrar o caso na Delegacia da Mulher da cidade. Indignados e contando com a ajuda de uma organização não-governamental, eles optaram em chamar a atenção dos meios de comunicação, o que deu início a duas linhas de investigação policial. Na última quinta-feira, seus três filhos tiveram que ir até a delegacia para fazer o reconhecimento de oito suspeitos dos abusos. Quatro deles foram presos temporariamente.

Entre os depoimentos na polícia, o acompanhamento psicológico e as sessões de reconhecimentos dos criminosos e de casas onde teriam ocorrido os abusos, as crianças voltaram a frequentar a escola, mesmo com medo.

Segundo os pais das três crianças, tudo mudou na vida deles após os abusos. - Nossa convivência está bastante afetada - define o pai. - Para reparar tudo isso, vai levar um bom tempo - admite.