FAB investiga excesso de peso em avião que caiu no Amazonas

Isabel Freitas, Jornal do Brasil

BRASÍLIA - Mau tempo, suspeita de excesso de peso e um novo desastre aéreo choca o país: eram da mesma família 20 das 24 pessoas que morreram na queda de um avião, no sábado, no rio Manacapuru, a 80 quilômetros de Manaus. O turbohélice da Manaus Aerotáxi tinha capacidade só para 21 pessoas, mas voava com sete a mais número omitido na lista oficial. Apenas quatro passageiros sobreviveram, porque saíram pela porta do bagageiro, na traseira do avião que ficou submerso. Entre os mortos estão o piloto, César Grieger, e o co-piloto, Danilson da Silva.

A Manaus Aerotáxi confirmou 28 pessoas no Bandeirante da Embraer, prefixo PT-SEA, mas negou excesso de peso. O avião decolou no sábado de Coari (AM) para Manaus, por volta de meio-dia (14h no fuso de Brasília). Os passageiros tinham fretado para ir a uma festa de aniversário na capital. Mas o mau tempo obrigou o piloto a contatar o Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo da região e pedir para retornar a Coari. Logo depois, perdeu contato com a torre. Sob forte chuva, o Corpo de Bombeiros localizou a aeronave a 500 metros da pista de Coari, dentro do rio.

Causas

A Aeronáutica já iniciou a investigação das causas. A principal hipótese é o mau tempo aliado ao excesso de peso. A Agência Nacional de Aviação Civil informou que a capacidade do avião é de até 21 pessoas, incluindo dois tripulantes. Para o comandante Carlos Camacho, piloto aposentado da Varig e especialista em segurança de vôo, o piloto do turbohélice pode ter sido omisso.

O excesso de peso pode ter ajudado na queda do avião, que voava com mais de 50% da carga permitida. Isto é uma loucura comentou Camacho. O piloto deve respeitar as regulamentações e este acidente foi um atentado contra a segurança de voo.

A aeronave tem capacidade de voar com 5.900 quilos mas, segundo Camacho, pelos seus cálculos, havia um excesso de, pelo menos, 800 quilos.

Levando em conta que cada passageiro pesava entre 70 e 80 quilos, havia uma margem muito acima da permitida. O que aconteceu foi um crime contra a vida.

O Bandeirante exige uma qualificação especial por parte do piloto, lembra o comandante. Procurada pelo JB, a Anac informou que tanto o piloto quanto a empresa estavam com a documentação em dia para operar a aeronave.

De acordo com a aeronáutica, o piloto entrou em contato com a torre do aeroporto de Manaus e informou que voltaria para Coari por causa da forte chuva. Mas para Camacho, a chuva não deve ter sido a causa do acidente, pois o avião consegue voar muito bem mesmo diante de uma tempestade.

A aeronave é muito estável e consegue voar normalmente mesmo sob chuva forte garante o comandante.

Pouso na água

O avião foi encontrado a 500 metros de uma pista de pouso abandonada na comunidade de Santo Antonio, próxima ao rio, totalmente submerso.

Para Camacho esta modalidade de pouso não é a opção segura.

Não existe muita diferença entre pousar um Boeing ou um Bandeirante na água. As pessoas podem achar que, por ser água, não tem muito impacto, mas é uma situação difícil, devido à desaceleração brusca. Os passageiros sentem um impacto muito forte e por isso não é qualquer profissional que consegue pousar na água explica o comandante.

A pequena cidade de Coari (AM), de onde saiu o avião, decretou luto oficial por três dias e feriado nesta segunda-feira.