Morre dono da antiga fábrica de carros Gurgel

Portal Terra

SÃO PAULO - Morreu na noite de sexta-feira João Augusto Conrado do Amaral Gurgel, 83 anos, dono da fábrica brasileira de carros Gurgel, que deixou de produzir veículos em 1994. Ele estava internado no hospital São Luiz, na zona sul de São Paulo, e sofria de Mal de Alzheimer.

O corpo do empresário será enterrado às 13h neste sábado no Cemitério do Morumbi, também na zona sul da capital.

Fundada em 1969 em Rio Claro (SP), a Gurgel produziu o primeiro automóvel totalmente brasileiro. O engenheiro começou sua história na indústria automobilística com carros infantis.

O primeiro modelo de veículo da marca foi um bugue chamado Ipanema. Os carros da Gurgel usavam plástico reforçado com fibra de vidro.

Em entrevista ao Estado de S. Paulo em 2005, a filha de Gurgel, Maria Cristina, afirmou que em 21 anos de produção, a marca colocou 40 mil carros no mercado. Para ela, o que levou à falência da empresa foram, entre outras coisas, os empréstimos pedidos que não saíram. "Acho que foram vários fatores, desde os salários atrasados até os empréstimos que não saíram", disse ela ao jornal.

Maria Crstina lembrou, na época, da posição contrária de João Augusto Gurgel ao Proálcool, por acreditar que o campo deveria produzir comida, não combustível - como ocorre com a cana-de-açúcar, por exemplo.

Segundo ela, a solução de seu pai contra a crise do petróleo no final dos anos 80 e início dos 90 foi a criação do BR-800, equipado com 800 cilindradas em motor de dois cilindros e capaz de fazer 15km/l. Foi com esse modelo que Gurgel conseguiu que o governo reduzisse o Imposto sobre Produto Industrializado (IPI) para carro econômico.

Apesar de sua oposição ao carro a álcool, o engenheiro produzia modelos abastecidos com esse combustível. Na década de 80, os consumidores poderiam optar pelo motor, que também poderia ser à gasolina.