Tião não entrega os pontos e Sarney minimiza decisão tucana

JB Online

BRASÍLIA - Animado com a adesão formal do PSDB à sua candidatura à presidência do Senado, Tião Viana (PT-AC) dividiu seu tempo ontem entre o telefone e os corredores da Casa, em busca de novos votos e na preservação dos que já tem. Ontem, Tião garantiu ter conversado com 16 senadores e mantido contatos diretos nos gabinetes dos parlamentares que se encontram no Senado.

Agora é voto a voto resume o parlamentar, que promete um esforço concentrado para angariar apoio dos senadores neste fim de semana. Ele contabiliza em sua lista 39 votos e diz que pode chegar até segunda-feira, dia da eleição, a 49 senadores favoráveis à sua candidatura.

Vou intensificar cada vez mais sa busca (de votos) para renovar o Legislativo diz o petista.

Com a adesão do PSDB à sua candidatura, Viana passa a ter o apoio formal de sete partidos.

Entre os 39 votos que julga ter, ele contabiliza dissidências no Democratas (DEM), PMDB e PTB, legendas que oficialmente apóiam a candidatura do senador José Sarney (PMDB-AP). O senador reconhece que também haverá votos para Sarney entre os partidos que lhe dão apoio formal. Viana qualifica como decisivo o apoio dos peessedebistas à sua campanha.

O apoio do PSDB marca a história do Legislativo em busca de independência, autonomia e de uma reforma administrativa afirma.

Tião atribui o seu crescimento nesta reta final à persistência e humildade com que vem se conduzindo, num contraponto ao senador José Sarney e seus aliados.

Havia muita vaidade e sentimento de soberba do outro lado criticou.

Os líderes dos cinco partidos que apoiam a candidatura do senador Tião Viana (PT-AC) à presidência do Senado divulgaram nota ontem reafirmando a adesão ao petista. No documento, os líderes do PT, PSB, PDT, PR e PRB afirmam que o grupo rechaça as negociações envolvendo a troca de cargos por apoio político. Na nota, não está incluído o PSDB, nem integrantes da legenda.

O documento é uma resposta às informações de que Tião estaria fazendo acordos com líderes partidários nos quais daria sua palavra de que os partidos teriam os comandos de comissões permanentes e cargos na Mesa Diretora do Senado, se fosse eleito. Para os aliados de Viana, apesar de pertencer ao PT do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ele não comandará o Senado como uma extensão do governo federal. Segundo eles, Tião consagra a renovação no Senado e aprofunda o processo democrático brasileiro.

Neste sentido, avaliamos que Tião Viana presidirá esta Casa com os olhos voltados não apenas para seu funcionamento interno, para os interesses específicos do governo, mas para o bem do país , reforçam os partidos no documento.

Prejuízo

O candidato do PMDB à presidência do Senado, José Sarney (AC), reuniu na sexta-feira a cúpula de sua campanha para avaliar os prejuízos causados pela adesão do PSDB à candidatura do petista Tião Viana (AC). Pelos cálculos dos aliados do peemedebista, ele mantém o favoritismo com 49 votos.

Correligionários afirmaram que dos 13 senadores do PSDB, mais da metade já sinalizou que ficará com Sarney na votação de segunda-feira. Os tucanos teriam afirmado ao peemedebista que vão se proteger no voto secreto, mas que evitarão manifestações públicas para não demonstrar divergências com a orientação do comando do partido.

Durante cerca de duas horas de conversa, Sarney e seus aliados concluíram que a bancada do PSDB optou por Tião como um gesto político. O objetivo, segundo o grupo, seria demonstrar que o partido está ao lado do que simbolizaria a ética e também para atender às orientações do governador de São Paulo, José Serra (PSDB), que tem restrições pessoais a Sarney.

Sarney passou a manhã de ontem reunido com os filhos a senadora Roseana Sarney (PMDB-MA) e o deputado Sarney Filho (PV-MA) além dos senadores Renan Calheiros (PMDB-RN), Heráclito Fortes (DEM-PI), Gim Argello (PTB-DF) e José Agripino Maia (RN), líder do DEM no Senado. Roseana foi incumbida de fazer uma avaliação oficial sobre o quadro político após a adesão dos tucanos à candidatura de Tião. Esquivando-se de criticar o PSDB, a senadora afirmou que a decisão dos tucanos surpreendeu e que até ontem à tarde integrantes da legenda mantinham conversas com Sarney. Porém, nos bastidores, os aliados de Sarney reclamam da pressão do PSDB por cargos na Mesa Diretora do Senado e também nas comissões permanentes da Casa.

(Com agências)