Líderes da legenda reúnem-se com bancada no domingo

Jornal do Brasil

BRASÍLIA - A ameaça de traição de petistas ao acordo do PT com o PMDB para a eleição do peemedebista Michel Temer (SP) à presidência da Câmara será aplacada pelo comando nacional do partido no domingo, a um dia das eleições na Câmara. A garantia é do presidente nacional do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP). O petista disse na sexta-feira que a legenda não trabalha com a hipótese de indisciplina .

Não haverá traição no PT afirmou Berzoini. Não trabalhamos com o caminho da indisciplina. A bancada do PT está firme. Pode quando muito ter um desvio de padrão apenas.

Berzoini conversou com o candidato do PT à presidência do Senado, Tião Viana (AC). A possibilidade de traição de um grupo que poderia chegar a 20 petistas surgiu nos últimos dias depois de o senador José Sarney (PMDB-AP) se lançar na disputa pela presidência do Senado. Para alguns petistas, a insistência de o PMDB querer ocupar os comandos do Senado e da Câmara significa o fim do acordo com o PT.

Com este argumento, alguns petistas afirmam que não vão votar em Temer e optarão por um de seus adversários os deputados Aldo Rebelo (PC do B-SP), Ciro Nogueira (PP-PI) e Osmar Serraglio (PMDB-PR). Na tentativa de evitar um racha no PT, Berzoini e o líder da bancada na Câmara, Maurício Rands (PE), farão uma reunião na tarde de amanhã para buscar o consenso entre os presentes. Todos os 78 deputados da bancada foram convocados para o encontro.

Internamente, o grupo de rebeldes do PT afirma que o voto em um adversário de Temer seria em protesto ao que Sarney representaria por seu suposto conservadorismo político e também por restrições regionais. No entanto, Berzoini e Rands trabalham intensamente para evitar que essas resistências sejam levadas adiante na segunda-feira, dia das eleições na Câmara.

Os petistas que ameaçam descumprir o acordo contam com a proteção do voto secreto. A votação na Câmara terá início por volta das 12h de segunda-feira e será eletrônica. A previsão é que ao final do dia se conheça o novo presidente da Casa.

Reforço

O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), reforçou o discurso do colega Berzoini e disse não acreditar em eventuais traições da bancada do PT. Segundo ele, as informações veiculadas sobre o descumprimento do acordo não afetarão o que já foi negociado pelos líderes partidários.

Nunca há a possibilidade de o PT não cumprir o acordo firmado exagerou Chinaglia. É o comportamento de um, dois ou três deputados no máximo, portanto não há essa hipótese. Não creio que a bancada do PT vai alterar (o quadro acordado).

Ciro Nogueira e Aldo Rebelo aguardam com ansiedade uma vitória de Sarney no Senado e um crescimento dos votos dos traidores . Como a eleição na Câmara também é secreta, não há como controlar o cumprimento de acordo petista com Temer. Até mesmo a líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC), juntamente com o comando nacional do PT, já admitiu que aqueles que descumprirem o acordo na Câmara não serão punidos.

Chinaglia, que deixa a presidência da Câmara na segunda-feira, preferiu não opinar sobre a decisão do PSDB de apoiar o senador Tião Viana (PT-AC) na disputa pelo comando do Senado cuja eleição também ocorre na segunda-feira. Na Câmara, o candidato para ser vitorioso já no primeiro turno da eleição deve ter, no mínimo, 257 votos. Do contrário, será realizado segundo turno.

(Com agências)