Substância misteriosa intoxica 26 pessoas no Sul

Jornal do Brasil

PORTO ALEGRE - Um pó de cor amarela intoxicou 26 funcionários de uma empresa de tratamento de lixo em Santa Maria (307 km de Porto Alegre). Após inalarem a substância, eles sentiram náuseas, dores de cabeça, irritação nos olhos e garganta e alguns desmaiaram. Uma das suspeitas é de que o pó seja algum agrotóxico proibido no país.

Os trabalhadores da empresa Tecnoresíduos, responsável pelo descarte do lixo em Santa Maria e outras 16 cidades da região, separavam o lixo quando, por volta das 20h da segunda-feira, uma embalagem contendo o pó amarelo abriu ao passar pela esteira de triagem. Imediatamente, todos os funcionários que trabalhavam no setor começaram a passar mal. Três desmaiaram.

Eles foram levados para um hospital municipal, onde foram medicados e ficaram internados para observação. No início da tarde desta terça-feira, todos já haviam tido alta, mas, à noite, duas pessoas retornaram por apresentarem novamente os mesmos sintomas. Até o início da noite de terça, elas permaneciam hospitalizadas.

A área da empresa onde ocorreu a intoxicação ficará isolada até que a substância seja identificada. O pó será analisado por um laboratório de Porto Alegre e o laudo deverá ficar pronto ainda nesta quarta-feira.

Uma das hipóteses da Vigilância Sanitária de Santa Maria é que a substância seja um agrotóxico, já que a atividade principal das cidades da região é a agricultura. O órgão ainda trabalha com a hipótese de que o produto tenha sido contrabandeado, já que não continha rótulo, e pode ser, inclusive, proibido no Brasil.

Uma revisão, em 2000, da Lei dos Agrotóxicos obriga os agricultores a devolverem as embalagens e os resíduos de agrotóxicos nas lojas onde eles foram comprados, para que sejam recolhidos pelos fabricantes e descartados de forma segura. Segundo o Ministério da Agricultura, em caso de descumprimento dessa medida, o agricultor pode receber uma multa de até R$ 19 mil.

No entanto, produtos contrabandeados não podem ser recolhidos pelas lojas, já que não têm nota fiscal e, com isso, costumam ser descartados de forma inadequada, queimados ou enterrados - o que pode, além de intoxicar pessoas, causar danos ambientais. Segundo a Prefeitura de Santa Maria, não é possível identificar quem realizou o descarte do pó amarelo.

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