RS: Governo confirma mais uma morte por febre amarela

Idelina Jardim, JB Online

RIO GRANDE DO SUL - O governo do Rio Grande do Sul confirmou a segunda morte causada por febre amarela no estado. A vítima foi um homem, de 28 anos, residente em Nova Santa Rita, no dia 6 de janeiro. Ele contraiu a doença durante visita a Pirapó, região considerada de risco. Em 25 de dezembro do ano passado, uma moradora de Santo ngelo, também morreu vitima da doença. Uma terceira morte, de uma indígena, no interior do estado, está sendo investigada.. ela morreu no último sábado. Amostras de sangue da mulher foram encaminhadas para exames laboratoriais e o resultado ficará pronto em 15 dias. O governo gaúcho está em alerta e já vacinou 70% da população que vive nas áreas de risco da febre amarela.

O Ministério da Saúde, enviou ao estado um total de 1,2 milhão de doses de vacina para imunizar moradores .Outras 500 mil doses chegarão nos próximos dias para serem aplicadas em pessoas que queiram viajar para as regiões do noroeste do estado. A campanha de alerta para a vacinação começou em novembro do ano passado em todo o estado. Ao todo, são 109 municípios com risco de febre amarela.

A Secretaria Estadual da Saúde enviou a Santo ngelo uma equipe de 15 pessoas do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (CEVS) e Ministério da Saúde, na itenção de avaliar as circunstâncias das mortes de bugios e o crescimento de mosquitos transmissores da febre amarela, conforme explicou o assessor de imprensa da Secretaria de Saúde, Paulo Burd.

- Até amanhã (quinta-feira) os técnicos também realizarão reuniões com prefeitos e secretários municipais da saúde, explicando estratégias de vacinação, que é a prevenção principal -disse.

Representantes de dez Coordenadorias Regionais da Saúde, prefeitos e secretários da Saúde das cidades próximas e diretores de hospitais, também participarão desta reunião.

Longe de epidemia

O secretário de Saúde do governo gaúcho, Osmar Terra afirmou nesta terça-feira, em Santa Maria - durante coletiva com a imprensa sobre o processo de vacinação na cidade e Região - que "não há epidemia de febre amarela no Rio Grande do Sul". Segundo Terra, a febre amarela existe na Zona da Mata Ciliar que se estende do sul do Piauí à Uruguaiana onde há circulação do mosquito.

- Esse mosquito que é conhecido como Haemagogus não sai mais de 20 metros da mata. Ele é um mosquito silvestre, portanto, as pessoas só são atingidas por esse mosquito se forem até a mata - afirmou.

O secretário buscou tranqüilizar a população e acrescentou que "a presença dos secretários demonstra a importância que o Governo do Estado dá para a Região, com apoio e o respaldo da governadora do Estado Yeda Crusius".

De acordo com o prefeito da cidade vizinha, César Schirmer a "população de Santa Maria só está sendo vacinada por precaução" e informou que a cada dia, estão abrindo novos postos de vacinação.

- Nesta quarta-feira, sete Postos de Saúde estarão vacinando contra a febre amarela - garantiu Schirme , após mencionar que, somente na última terça-feira (13), foram vacinadas em torno de 3.600 pessoas no município. Ao todo, mais de 100 mil doses da vacina já estão em Santa Maria, e aos poucos, conforme a necessidade, o Governo estará encaminhando mais doses.

Bugios

A febre amarela ataca geralmente os macacos bugios. Desde outubro do ano passado, 419 deles foram encontrados mortos com sintomas da doença. O município de Júlio de Castilhos, constatou as primeiras mortes, a partir de exames sorológicos feitos nas vísceras desses macacos realizados no Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo.

- Fazemos um monitoramento constante dos bugios em todo o estado com biológos, veterinários e médicos - disse o diretor do Centro Estadual de Saúde do Rio Grande do Sul, Francisco Paz. - De outubro pra cá, observamos epizootias, epidemias nos animais e um grande número de mortandade desses primatas não humanos.

Ainda de acordo com Paz, as chuvas, o calor e a circulação do vírus vindo de países vizinhos como Argentina e Paraguai, chegam com facilidade nas matas da Sul. O vírus da febre amarela silvestre, já atingiu a fauna do estado no passado.

- Em 2001 já havia ocorrido uma epizzotia com a constatação da circulação de vírus. Em 2008, houve esse novo episódio mais intenso, que pelo número de animais mortos, já está comprometendo a população de primatas do estado -lembrou Paz. -Na Argentina houve um fenômeno semelhante ao ocorrido aqui. O país também teve vários bugios mortos e dois humanos.

Vacina

A vacina contra febre amarela tem duração de dez anos e deve ser aplicada em crianças a partir dos nove meses de idade. Pessoas que pretendam viajar para os municípios de risco devem receber a dose com dez dias de antecedência. O mosquito transmissor da doença é característico das matas e vegetações à beira de rios e não sobrevive em áreas urbanas.