Governo italiano apela a Lula para rever refúgio dado a escritor

Agência Brasil

BRASÍLIA - O governo da Itália se disse surpreso e desapontado com a decisão tomada ontem pelo ministro da Justiça, Tarso Genro, de conceder o status de refugiado a Cesare Battisti, 'um terrorista responsável por crimes extremamente graves e que não tem nenhuma semelhança com um refugiado político'. A afirmação foi feita em nota, divulgada hoje na página do Ministério das Relações Exteriores italiano.

No comunicado, o governo italiano informa que fez um apelo ao presidente Lula para que a decisão fosse revista. A Itália também mostrou satisfação com a decisão de novembro do Comitê Nacional para Refugiados (Conare), órgão ligado ao Ministério da Justiça, de negar o pedido de refúgio do escritor de 52 anos, Cesare Battisti.

- Isso é o mais importante num momento no qual os países do G8 e todos aqueles que, como o Brasil, estão colaborando intensamente com eles, estão sendo chamados a confirmar o seu comprometimento solene em promover medidas crescentes e efetivas no combate ao terrorismo internacional - conclui a nota. Em Brasília, a Embaixada da Itália disse que não vai comentar o assunto.

Ontem, o ministro Tarso Genro concedeu refúgio a Battisti, por entender que existe o elemento de 'fundado temor de perseguição'. O italiano foi condenado à prisão perpétua por duas sentenças, com processo de extradição passiva executória. No pedido de extradição, a Itália alega quatro homicídios que o escritor teria cometido entre 1977 e 1979. O voto do ministro foi dado depois de analisados os argumentos do recurso impetrado contra a negativa do Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), em novembro passado.