Entrevista: prefeito reeleito de Salvador comemora ajuste de contas

José Pacheco Maia Filho, Jornal do Brasil

SALVADOR - Reeleito, o prefeito de Salvador, João Henrique de Barradas Carneiro (PMDB), 49 anos, quer exercer o novo mandato com um perfil mais técnico. Reduziu o número de secretarias de 18 para 11 e dessas só duas serão ocupadas por políticos. Todas as demais terão à frente técnicos especializados nas respectivas áreas.

Como o senhor encara o novo mandato?

Em 2005, quando eu cheguei aqui, era outra cidade. Depois de quatro anos, eu entro agora administrando uma nova cidade, porque a população cresce em Salvador, o número de veículos nem se fala são cerca de 60 mil novos carros por ano. Estamos chegando para administrar uma nova cidade, mas também o prefeito é outro: mais experiente, mais maduro, mais preparado para a nova e outra cidade que começo a administrar a partir de 2009.

O que muda na cidade hoje em relação a 2005?

Em 2005, encontramos uma cidade completamente endividada, sem nenhuma capacidade de endividamento. A relação dívida consolidada líquida com receita corrente líquida era negativa. Era 1.06, ou seja, para cada R$ 100 que eu arrecadava, eu devia R$ 106. Eu já devia mais do que eu arrecadava. Hoje essa relação está em 0.45 de cada R$ 100 que eu arrecado, eu devo R$ 45. Então nós recuperamos nossa capacidade de endividamento. Agora podemos nos endividar em até R$ 1,5 bilhão. Quando cheguei aqui, não podia tomar nenhum empréstimo para fins de investimento social.

E o senhor pretende tomar novos empréstimos?

Sim, mas estamos pagando dívidas de outras gestões, de até 20 anos atrás. Não convém aumentar o endividamento, mas é bom saber que recuperamos a capacidade de endividamento. Numa emergência, por exemplo, temos condições de tomar junto a bancos internacionais, BNDES até R$ 1,5 bilhão. Isto é saudável do ponto de vista da saúde financeira do município. .

O governo estadual ajudou sua administração?

Encontrei em 2005 uma cidade muito dependente do governo estadual. Se o governo do estado desse um espirro, a prefeitura ficava gripada. Eu me lembro que, quando João Durval Carneiro (pai de João Henrique) foi governador da Bahia, de 1982 a 1986, ele pagava a folha de pessoal da prefeitura de Salvador. Se fosse hoje, isso representaria R$ 30 milhões. Esse valor, R$ 30 milhões, eu não recebi de nenhum dos dois governadores que eu peguei até agora. Naquela época década de 80 o estado pagava a folha de pessoal.

Como o senhor conseguiu suprir a falta desses recursos?

Com austeridade fiscal e mais eficiência de órgãos arrecadatórios. Na medida em que um alvará de construção de um prédio é liberado em 30 dias e antes era em 30 meses, é muito diferente. Então há entrada de receitas. O próprio alvará já é pago. Depois da construção, o prédio já vira carnê de IPTU, independentemente de ser residencial, comercial ou de serviços. Então, demos uma celeridade e modernidade a órgãos da prefeitura, o que antes não existia.

O senhor governou no primeiro mandato com o apoio de uma ampla aliança, com 14 partidos. Isso favoreceu ou dificultou a sua gestão? E como será no novo mandato?

Essa aliança prejudicou o primeiro mandato porque a nossa agenda foi de muita conversa política. O PT, o tempo todo, ameaçava com rompimento. Foi uma gestão em que gastei muito do meu tempo e da minha energia com política. No primeiro governo, foi o tempo todo discutindo e os partidos querendo mais espaço, brigando entre si. Agora não. Serão só 11 secretarias.

A ruptura com o PT se deu só no plano municipal ou no estadual também?

O universo em que atuo é municipal. Na campanha, eles foram muito duros conosco, principalmente depois de terem participado de nossa gestão com as melhores secretarias, inclusive a secretaria de governo. Minha esposa é deputada estadual pelo PMDB, é solidária a mim, como é que ela vai votar a favor do governo do PT, se eles fizerem oposição a mim, com pedidos diários de CPI e críticas infundadas?

O senhor pretende exercer este novo mandato com mais autonomia?

Antes eram vários partidos políticos. Hoje só temos contemplados no secretariado, quatro partidos, incluindo o meu, o PMDB. Antes eram 14 partidos e cerca de nove tinham secretarias, fora o segundo escalão. Uma experiência que eu não aconselho a nenhum prefeito.

Quais os benefícios da reforma administrativa que vai implementar?

Estou reduzindo de 18 para 11 o número de secretarias. Haverá uma redução de despesas no primeiro ano de R$ 40 milhões e, no segundo, um pouco mais.