Boa vista depende do fundo dos municípios, diz prefeito

Cyneida Correia, Portal Terra

BOA VISTA - O primeiro ano do novo mandato do prefeito de Boa Vista, em Roraima, Iradilson Sampaio (PSB), será dedicado à recuperação da receita perdida pelo Fundo de Participação dos Municípios (FPM), que caiu mais de 50%. A solução para o problema, segundo Iradilson, poderá vir do Congresso Nacional ou do Poder Judiciário. Em entrevista ao Terra, Iradilson fala sobre perspectivas para 2009, saúde, educação, desenvolvimento e mudanças para Boa Vista, a capital de Roraima.

Como o senhor pretende trabalhar para recuperar o FPM que caiu pela metade?

-Na Câmara Federal tramita um projeto de lei já aprovado pelo Senado para que os municípios atingidos pelo corte do FPM em 2008 continuem a receber as receitas no mesmo valor. A votação ficou para 2009. Na via judicial, aguardo o julgamento de uma das três ações que ajuizei, na Justiça Federal de Roraima, no Tribunal Regional Federal da 1ª Região, em Brasília, e no Supremo Tribunal Federal (STF). O grande desafio em 2009 será resolver a situação do FPM. Solucionando isso, nós vamos cumprir com tudo que foi prometido durante a campanha.

Boa Vista alaga todos os invernos. Como o senhor pretende combater esse problema?

-Eu pedi aos deputados e senadores que destinem suas emendas parlamentares para obras de drenagem e microdrenagem. Todos os anos as chuvas são um transtorno, porque Boa Vista é uma cidade plana e enfrentamos muitos problemas com alagamentos nas ruas. O combate a estes pontos, que hoje não chegam a quarenta, é uma prioridade em 2009 e ao longo dos quatro anos de meu mandato.

Agora que Boa Vista é Área de Livre Comércio como o senhor pretende trabalhar no desenvolvimento comercial do estado?

-A consolidação da Área de Livre Comércio (ALC) e da Zona de Processamento de Exportação (ZPE) são outro ponto importante. A briga, agora, é para que o governo federal concorde em isentar o PIS e a Cofins dos produtos comercializados em Boa Vista. Além disso, em 2009 pretendo construir o prédio da ZPE para que a Receita Federal possa iniciar sua operação.

Nós recebemos energia elétrica da Venezuela. Como o senhor pretende melhorar o fornecimento, visto que o estado ainda sofre com constantes quedas de energia e isso prejudica a indústria e o desenvolvimento?

-A grande preocupação é quanto ao fornecimento de energia elétrica para o processamento tanto da matéria-prima como dos produtos a serem fabricados na ZPE. A gente não pode se contentar apenas com a energia de Guri, que vem da Venezuela. O ideal é construir a Hidrelétrica de Cotingo, na área indígena, que vai ajudar essa energia que compramos da Venezuela.

Na área econômica, quais as prioridades de seu governo?

-No campo da economia, acredito que 2009 é o ano do agronegócio. Vamos criar um Centro de Difusão de Tecnologia Agropecuária, que dará prioridade à capacitação dos produtores. Com a efetivação da ZPE já temos produtores interessados em exportar farinha da banana, hambúrguer de pirarucu, filé de tilápia e concentrado de manga para paises como Venezuela, Guiana e alguns da Europa. Por outro lado, os agentes financeiros como o Banco da Amazônia e o Banco do Brasil já deixaram claro que têm dinheiro para financiar o setor.

E na área educacional?

-A educação é a menina dos meus olhos. Faço uma avaliação extremamente positiva dos resultados obtidos pelo setor, que fechou o ano de 2008 com um importante prêmio nacional de melhor gestão escolar para a escola Amazona de Oliveira Monteiro. Para 2009, a meta é ofertar cinco mil novas vagas no ensino infantil e intensificar a capacitação de professores, visando a melhoria da qualidade de ensino. Temos a obrigação de abrir novas vagas, mas não posso deixar de investir na qualidade do ensino. Depois que eu assumi, Boa Vista passou a ocupar o terceiro lugar entre as capitais com o melhor ensino infantil. Só perdemos para São Paulo e Curitiba.

Mas apesar de todos os seus esforços, a saúde é um problema em Boa Vista, não é?

-A capital roraimense tem enfrentado dificuldades em função da crescente demanda de outros municípios pelo atendimento médico oferecido pelos postos de saúde e pelo Hospital Santo Antônio, o único do Estado voltado exclusivamente para o atendimento de crianças. Recebemos demanda de todos os municípios, da Venezuela e da Guiana e não existe parceria com qualquer dos municípios nem com o governo do Estado para repartir os gastos. Se chegar aqui uma criança precisando de UTI quem vai pagar é a Prefeitura. Se houvesse algum apoio do governo os efeitos seriam menos traumáticos, mas apesar das dificuldades, o Hospital Santo Antônio se tornou referência. O exemplo disso é que temos recebido crianças do Amazonas e do Pará para operar de lábio leporino. São pacientes que antes iam para São Paulo e agora vem para cá, porque temos equipe preparada para este tipo de atendimento.

Mas como o senhor avalia a saúde básica, que é administrada pelo município?

-No que tange à saúde básica, constante reclamação da população, estou pedindo o apoio dos parlamentares federais para que destinem recursos para este fim. Enquanto não resolvermos o problema do FPM, não vamos conseguir avançar muito nestas questões. O FPM representa 54% das nossas receitas. É humanamente impossível manter os serviços com essa dificuldade orçamentária, principalmente porque a saúde não funciona no interior e toda a demanda vem para Boa Vista. Apesar disso, em 2009 vou construir mais um bloco no Hospital Santo Antônio, um hospital no bairro Sílvio Leite e escolas nas comunidades indígenas do município.

Boa Vista foi um dos municípios que mais recebeu verbas em 2008, devido ao interesse demonstrado pelo líder do governo Romero Jucá, senador pelo estado. Como o senhor analisa as criticas a grande quantidade de investimentos recebidos?

-O senador Romero Jucá é um grande parceiro da prefeitura de Boa Vista e nos ajuda em diversas obras de infra-estrutura. Colaborou enormemente na concretização do projeto elaborado pela Prefeitura de Boa Vista para a Área de Livre Comércio (ALC) e Zona de Processamento de Exportação (ZPE). As verbas que ele destina para o estado, mostram a liderança que o senador tem em Brasília e o empenho de ajudar o povo de Boa Vista, que tem 70% da população de Roraima.