Dom Mauro Morelli apresenta projeto de capacitação de jovens

Agência Brasil

BRASÍLIA - O bispo emérito de Duque de Caxias (RJ), dom Mauro Morelli, teve uma reunião nesta terça-feira, em Brasília, com o ministro da Defesa, Nelson Jobim, a quem apresentou um projeto para capacitar jovens de regiões com elevados índices de violência ou maus indicadores sociais a produzirem alimentos. Segundo o religioso, se implementada, a iniciativa deverá envolver outros ministérios como os de Desenvolvimento Social e Combate à Fome, do Desenvolvimento Agrário, de Integração Regional, da Educação e da Saúde.

Ex-membro do Conselho Nacional de Segurança Alimentar Nutricional Sustentável (Consea) e ex-promotor da nutrição e alimentação para o mundo da Organização das Nações Unidas (ONU), dom Mauro foi um dos colaboradores do PT na elaboração do Programa Fome Zero.

Convicto de que a falta de alimentos é capaz de gerar instabilidade e violência, dom Mauro defendeu a importância de que o país conte com o que classifica como 'reservistas da paz', pessoas aptas a trabalhar no campo, de forma sustentável. - Com a degradação ambiental, os recursos naturais estão se tornando escassos. Isso irá gerar tensões e, para mim, alimento é o caminho para a paz - afirmou o bispo.

Ressaltando que a proposta entregue a Jobim ainda é 'preliminar', dom Mauro explicou que sua idéia é de que o governo ofereça cursos de formação técnica para rapazes e moças entre 15 e 24 anos. A capacitação teria três anos de duração. - As pessoas irão aprender tudo o que é possível sobre meio ambiente e sobre como produzir alimentos - disse.

Para o bispo, outra vantagem do Projeto Galiléia, como ele próprio o batizou, seria o estímulo aos jovens, que concluíssem o curso, para se reunirem em associações ou cooperativas, que receberiam incentivos públicos para começar a produzir. - No final do curso as pessoas receberiam um diploma do curso técnico, formariam ou entrariam para uma associação e começariam a trabalhar [em uma associação ou cooperativa] - explicou o religioso.

Dom Mauro sugeriu que sejam feitas algumas experiências, começando pela criação de peixes. De acordo com ele, a implementação de um viveiro aquático custa cerca de R$ 200 mil e pode ser instalado em um ano, começando a produzir seis meses após estar pronto.

O religioso disse que as unidades produtivas podem e devem ser instaladas em todo o país, mas sugeriu que, se aprovadas, os primeiras sejam instaladas no Rio São Francisco, na Baixada Fluminense, na Tríplice Fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina, em Porto Alegre e em Minas Gerais. A razão, segundo ele, é haver um alto índice de violência envolvendo a juventude destas regiões .

Além de alegar que o governo tem recursos suficientes para custear a iniciativa, dom Mauro defendeu a viabilidade das associações e cooperativas poderem se custear em pouco tempo. Para ele, a aprovação do projeto de lei que tramita no Congresso e que estabelece que 30% da alimentação escolar deve ser comprada de pequenos produtores já garantiria uma grande fonte de renda para esses trabalhadores. - São 48 milhões de pessoas [estudantes] para comer e nós [pequenos produtores] seremos capazes de produzir. A lei vai favorecer o pequeno produtor, beneficiar as economias locais, contribuir para manter as pessoas na área rural e a qualidade dos produtos [alimentícios] - comentou dom Mauro.

Segundo a assessoria do Ministério da Defesa, Jobim gostou da idéia e determinou que técnicos do ministério estudem a viabilidade e o impacto da proposta de dom Mauro.