Grileiros estão na mira do Ministério Público Federal

Jornal do Brasil

BRASÍLIA - A prisão de Regivaldo Pereira Galvão, o Taradão, na sexta-feira, no Pará, acusado de ser um dos mandantes do assassinato da missionária americana Dorothy Stang, em 2005, pode ser o primeiro passo para que outros grileiros que atuam na região tenham o mesmo destino. Para isso, o procurador da República no estado, Felício Pontes Jr., vem levantando a participação deles na compra e venda de áreas públicas.

Segundo o procurador, a prisão de Galvão mostrou que ninguém ficará impune.

A mensagem que fica é que se conseguimos prender o peixe maior, o fazendeiro de maior poder econômico nessa região. É claro que os outros devem ficar com as barbas de molho afirma Pontes.

A prisão preventiva de Regivaldo Galvão (por grilagem e estelionato), foi pedida pelo Ministério Público Federal (MPF), após a descoberta da tentativa dele de negociar o lote 55, em Anapu, região da Tranzamazônica. O lote é o mesmo que levou ao conflito que resultou na morte da missionária, há três anos. O local faz parte do Projeto de Desenvolvimento Sustentável Esperança. Em outubro, uma ata do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), relata uma reunião em que ele teria afirmado a colonos e agricultores ter a posse do lote e proposto uma troca por outras terras. Em depoimento, no entanto, Taradão negou ter a posse da terra.

Essas pessoas estão colocando em xeque o próprio programa de reforma agrária do governo federal. Não há como fazer com que um colono consiga produzir se ele está ameaçado o tempo todo de ser despejado de sua terra diz o procurador.

Estímulo

O fortalecimento da atuação dos grileiros naquela região ganhou força a partir da absolvição, em segundo julgamento, do fazendeiro Vitalmiro Bastos Moura, conhecido como Bida, também acusado de envolvimento no assassinato de Dorothy Stang.

No primeiro julgamento, Bida havia sido condenado a 30 anos de prisão. Já Taradão chegou a ficar preso por mais de um ano. No entanto, em 2006 ele conseguiu um habeas corpus no Supremo Tribunal Federal (STF) e aguardava o julgamento em liberdade.