SC: desabrigados ganham sala para encontros íntimos

Portal Terra

FLORIANÓPOLIS - Desabrigados que permanecem há cerca de um mês em uma escola da cidade de Ilhota, em Santa Catarina, criaram uma sala íntima para que os casais tenham seus momentos de privacidade.

A idéia partiu das próprias mulheres e dos voluntários que permanecem no abrigo da escola municipal Domingos J. Machado e contou com a aprovação do secretário municipal de Educação. No local, estão abrigadas 59 pessoas, de 18 famílias, que não tiveram condições de voltar para casa após as enchentes causadas por chuvas que atingiram a região, em novembro.

Segundo a psicóloga Marisa Lobo, que trabalha como voluntária no local, a permanência em salas comunitárias, sem que os casais pudessem ter seus momentos de intimidade, acabou gerando conflitos familiares. - Foi uma somatização, os casais entraram em crise, alguns maridos chegaram a fazer uso de bebidas alcoólicas e começaram a chegar tarde ao abrigo. Com isso, tivemos sérias discussões e brigas entre os casais daqui - contou.

Depois de uma reunião com as mulheres, Marisa pediu autorização à direção da escola, na última semana, e transformou a sala de professores no chamado 'Ninho do Amor'. Também foram estipuladas regras para o uso do local, como a necessidade de que as pessoas levassem suas próprias roupas de cama, e a criação de escalas entre os desabrigados. - No mesmo dia, toda a escala da semana estava pronta entre as próprias mulheres - afirmou a psicóloga. - Somente os desabrigados casados podem usar o local após as 22h - concluiu.

Na sala, foi montada uma cama que havia sido doada ao abrigo e vários enfeites com corações foram colocados pelas paredes. Uma cortina, providenciada com cobertores vermelhos, completou o ambiente. Marisa ainda montou cestas com sabonetes, produtos de higiene pessoal, preservativos e até gel de massagem e dados eróticos doados por lojas de lingerie da cidade.

A psicóloga disse que os conflitos familiares reduziram substancialmente após a criação do espaço íntimo. Ela destacou que a sexualidade passou a ser abordada de forma mais aberta pelos moradores do local. - Não é porque essas pessoas viveram uma tragédia que elas não têm sua sexualidade - disse. - Não é só darmos comida e roupas para vestir, temos que acompanhar, ver o que elas estão passando e conversar sobre todas as suas necessidades - disse.