Protógenes descarta grampo no STF

Jornal do Brasil

BRASÍLIA - O delegado da PF Protógenes Queiroz disse acreditar que não houve grampo realizado contra o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, durante a Operação Satiagraha e qualificou de banqueiro bandido e condenado Daniel Dantas, o principal investigado na ação. Em entrevista ao Roda Viva , da TV Cultura, na segunda à noite, o delegado rejeitou qualquer grampo ilegal de uma conversa entre Mendes e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO).

Levaram o nome de duas importantes pessoas da República fabricando um escândalo disse. Eu acredito que não houve grampo. Não existe áudio. Logo que foi anunciado (o suposto grampo) eu mesmo perguntei 'cadê o áudio'? Eu quero o áudio.

Para o delegado, a partir de vários outros momentos deixou-se de falar da conduta de um banqueiro, que na verdade é um criminoso.

Eu estou na condição de investigado porque os veículos (de comunicação) informaram ao leitor uma afirmação mentirosa disse, em referência à gravação. Dantas teve a prisão decretada por duas vezes pelo juiz Fausto de Sanctis, da 6ª Vara de São Paulo, e foi libertado por habeas corpus do STF em ambas.

A suposta escuta do presidente do Supremo desencadeou uma investigação da própria PF contra o delegado por desvio de conduta e quebra de sigilo funcional. O delegado foi acusado de permitir que fossem filmadas as pessoas presas na operação.

Em julho, a PF realizou a operação que investigou denúncias de lavagem de dinheiro, desvio de verba pública e corrupção. Foram presos políticos, como o ex-prefeito Celso Pitta, e investidores, além de Dantas, dono do grupo Opportunity. Protógenes minimizou a exibição dos suspeitos algemados. A imagem do bandido poderoso não choca a população. Não prejudica a investigação. O que me choca e o que choca a população, e que ninguém comenta, são crianças algemadas disse.