Estrutura da Fundação Casa desaba e jovens são transferidos

Chico Siqueira, Portal Terra

ARAÇATUBA, SP - Pelo menos quatro adolescentes de uma das unidades da Fundação Casa (ex-Febem), em Araçatuba, a 545 km de São Paulo, tiveram de ser transferidos depois que partes das instalações do prédio começaram a desabar.

Determinadas áreas do local, construído há menos de um ano, foram interditadas para evitar que funcionários e adolescentes sofram acidentes com a queda de estruturas de concreto que servem para barrar a entrada de sol e vento nas janelas do prédio. Uma das estruturas caiu ontem e assustou funcionários e internos.

A assessoria de imprensa da fundação divulgou nota afirmando que essas estruturas, chamadas de brises, caíram "por falha na execução da obra, feita pela empresa Engeva Engenharia e Construções Ltda, que será acionada judicialmente para ressarcir os danos". A unidade, que foi inaugurada em 10 de fevereiro deste ano pelo governador José Serra, custou R$ 3,2 milhões aos cofres públicos.

Para evitar acidentes maiores, a Fundação Casa deveria transferir na noite de ontem, ou na manhã de hoje, os 49 adolescentes internados na unidade, mas desistiu depois de uma avaliação feita por engenheiros. "Apesar do problema, não há risco estrutural nem perigo para os adolescentes e funcionários que estão na unidade, segundo constatou inspeção realizada ontem por engenheiros da Fundação Casa", esclareceu a nota. "A Fundação Casa vai fazer um contrato emergencial para reformar os brises - ainda não temos o valor do contrato. Segundo os engenheiros, a reforma poderá ser feita com os adolescentes na unidade", concluiu a nota.

De acordo com funcionários, quatro adolescentes foram transferidos hoje para uma unidade mais antiga da fundação, também em Araçatuba, devido aos problemas no prédio da unidade nova.

Obras abandonadas

O problema causado pela Engeva não é único. A empresa, que foi fechada devido a problemas financeiros, tem dezenas de processos na Justiça por não cumprir contratos ou abandonar obras públicas licitadas pelo governo do Estado.

Além da unidade de Araçatuba, a Engeva foi responsável pela construção das unidades de Osasco, Lorena e Mogi das Cruzes, onde as obras foram abandonadas e a fundação foi obrigada a assumí-las por conta própria ou fazer novas licitações. Por isso, a Engeva foi multada em mais de R$ 1,8 milhão. Em outro caso, a empresa é acusada de ficar com R$ 800 mil recebidos pela construção de uma ala do fórum de Fernandópolis e largar a obra antes de concluí-la.

A reportagem procurou representantes da empresa em Fernandópolis, onde era sediada antes de ser fechada pelo proprietário, Gevaildo Paulão, mas não conseguiu contato.