Lula e Banco Central não se entendem sobre percentual de crescimento

Jornal do Brasil

BRASÍLIA - Ao contrário da previsão do Banco Central divulgada ontem, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que, em 2009, o país terá crescimento econômico de 4%. O presidente previu que o país não sofrerá recessão apesar da crise financeira global e dará prosseguimento a projetos governamentais.

Apesar de gente dizer que o Brasil vai crescer 2,8% ou 3%, eu quero que os empresários saibam que no governo e na equipe econômica nós iremos trabalhar com a perspectiva de 4% disse Lula em discurso divulgado pela Presidência. Não vamos entrar em recessão. O país continuará crescendo. Certamente não crescerá 6% ou 7% como eu gostaria, mas poderá crescer 4% e vamos trabalhar com isso.

Antes da declaração do presidente Lula, o Banco Central reduziu sua projeção para a inflação em 2009 para 4,7% e anunciou uma estimativa de crescimento do PIB de 3,2% para o período bem abaixo do estimado para este ano, mas acima das projeções do mercado financeiro.

O diretor de Política Monetária do BC, Mário Mesquita, ponderou que o cenário estimado pelo BC em seu último Relatório de Inflação do ano reflete os impactos da crise externa, mas ainda deixa o Brasil em situação superior à média de crescimento do mundo.

Lula também voltou a garantir que planos como o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) não serão interrompidos pela crise.

Não haverá um só projeto do governo que seja paralisado por conta dessa crise assegurou. A gente enfrenta crise é lutando contra ela, criando novos paradigmas. Se a gente tentar resolver a crise com o mesmo paradigma monetário que a criou, nós não teremos solução de curto prazo.

Como na semana passada, Lula afirmou que o governo poderá adotar novas medidas para combater os efeitos da crise financeira global.

Meta do governo

O presidente do BC, Henrique Meirelles, disse ontem que a projeção de crescimento para a economia brasileira, de 3,2% em 2009, é baseada em condições presentes e que é preciso aguardar para ver o efeito que terão as medidas adotadas pelo governo contra a crise.

Meirelles admitiu que a estimativa do BC diverge dos 4% apresentados pelo presidente Lula durante o discurso de ontem. O presidente do Banco Central frisou que o número apresentado por Lula representa uma meta que vai ser perseguida pelo governo.

Essas são condições presentes. Vamos aguardar o que será a evolução das diversas medidas tomadas pelo governo no sentido do crescimento disse Meirelles ontem, durante o 2º Encontro Empresarial Brasil-União Européia.

Ao citar estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI), Meirelles ressaltou que a expectativa é de que o Brasil cresça acima da média mundial no próximo ano. O FMI projeta para o país uma expansão econômica de 3%.

No relatório de inflação divulgado ontem pelo BC, a previsão para o crescimento do PIB para este ano é de 5,6%, ante 5% na previsão de setembro. Para o ano que vem, porém, a estimativa é de retração, com o PIB crescendo 3,2%.

- A projeção para a expansão anual do PIB considera a ocorrência de desempenho favorável em todos os setores da economia, mas em cenário de desaceleração generalizada - diz o relatório.

A pesquisa semanal Focus, com economistas ouvidos pelo Banco Central, no entanto, mostra uma redução na previsão de crescimento do PIB em 2009 para 2,4%, ante 2,5% da projeção anterior.

O presidente do BC destacou que o Brasil está mais forte do que no passado, ao comparar a crise atual a turbulências anteriores. Meirelles destacou medidas preventivas adotadas como o acumulo de reservas internacionais.