Escuta apontaria venda de sentença por magistrado no Espírito Santo

Portal Terra

SÃO PAULO - Escutas telefônicas feitas com autorização judicial apontariam o desembargador Josenider Varejão Tavares confessando que receberia R$ 43 mil por uma liminar que garantiu a reintegração de um prefeito afastado. Tavares foi um dos quatro magistrados presos na terça-feira, na Operação Naufrágio, da Polícia Federal (PF). As gravações foram divulgadas pela TV Gazeta.

A operação prendeu oito pessoas suspeitas de integrarem uma organização criminosa que atuaria no Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJ-ES), entre elas, o presidente do órgão, Frederico Guilherme Pimentel. Nas conversas, ele seria a pessoa chamada de "papa" pelos interlocutores. O filho dele, o juiz Frederico Luís Pimentel, seria o "padre".

A diretora de Distribuição de Processos do TJ-ES, Bárbara Sarcinelli, que também foi presa, apareceria nas gravações comentando sobre a sua parte nos pagamentos, chamada por eles de "bolo". "Oh! No meu bolo tá 'descompleto'. Tá! Meu bolo de chocolate."

A gravação referente ao desembargador Josenider Varejão Tavares aponta que o pagamento teria sido feito a ele em duas partes. "Recebi R$ 20 mil hoje. Eles iam me dar sabe quanto? Os 43 que estavam faltando, aí me entregaram R$ 20 mil hoje e disseram que os 23 a semana que vem me entregam. Então... tudo bem."

Ainda na terça-feira, sete dos presos foram transferidos de Vitória para Brasília sob um forte esquema de segurança.