OMS: acidentes matam 830 mil crianças a cada ano

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BRASÍLIA - Batidas de carro, afogamentos e outros acidentes matam 830 mil crianças ao redor do mundo a cada ano. O número é surpreendente e representa um problema comumente ignorado, disse a Organização Mundial da Saúde (OMS) na quarta-feira.

O relatório, que compilou informações de 200 especialistas do mundo inteiro, é o primeiro a delimitar a dimensão do problema e procurar estimular a saúde pública e os grupos de desenvolvimento a entrar em ação, segundo autoridades. - Ficamos surpresos com a dimensão do problema em nível mundial - disse Etienne Krug, autoridade da OMS que compilou o relatório, em uma coletiva.

A África tem o maior índice de mortes acidentais. Lá, a incidência é 10 vezes maior do que em países ricos como Austrália, Holanda, Nova Zelândia, Suécia e Reino Unido, que têm os menores índices de ferimentos em crianças, de acordo com o relatório.

Cerca de 95% das mortes ocorrem em países em desenvolvimento, a maioria na África, mas o problema também é acentuado em nações mais ricas. Nestes países, as mortes por acidentes também afetam os mais pobres desproporcionalmente.

Cerca de metade dessas mortes poderia ser evitada com o aumento do uso de cadeirinhas, coberturas para poços e piscinas e barreiras que impeçam o acesso de crianças a construções, entre outras medidas, informou o relatório, feito em conjunto com o fundo para a infância da ONU.

- As crianças mais pobres não têm todos os ganhos das crianças de nações mais ricas - disse Elizabeth Towner, especialista em saúde infantil da Universidade de West England em Bristol, que contribuiu para o relatório. - Os ferimentos na infância são uma causa da injustiça social e precisam ser levados em conta.

Os acidentes nas estradas são a principal causa de mortes acidentais, matando 260 mil crianças e ferindo mais 10 milhões a cada ano. Afogamento, queimaduras, quedas e envenenamento acidental completam a lista das cinco maiores causas.

Krug pediu aos governos e autoridades de saúde que contenham o problema, pois a morte e a incapacitação de crianças pode manter o ciclo de pobreza. - Toda criança perdida por um ferimento ou uma incapacitação severa vai prejudicar a economia futura do país - disse o relatório.