Cenipa: não há registro de intenção de pilotos de desligar transponder

Agência Brasil

BRASÍLIA - O relatório final do acidente envolvendo Boeing da Gol e o avião Legacy que seguia para os Estados Unidos concluiu que não existe nada que comprove a intenção dos pilotos do Legacy, Joseph Lepore e Jan Paladino, de terem desligado o transponder (aparelho que detecta se outro avião em sentido contrário está em rota de colisão).

A informação é do presidente do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), brigadeiro Jorge Kersul Filho, ao apresentar o relatório final, nesta quarta-feira, aos familiares das vitimas do acidente.

O acidente ocorreu no dia 29 de setembro de 2006 e causou a morte das 154 pessoas, entre tripulantes e passageiros do Boeing da Gol. O avião foi atingido pelo Legacy da ExcelAire, companhia de taxi-aéreo dos Estados Unidos, quando sobrevoava a Região Amazônica. Mesmo com a ponta da asa e parte da cauda danificadas pela colisão, os pilotos do Legacy conseguiram pousar o avião numa pista localizada na Serra do Cachimbo, no Pará.

De acordo com Jorge Kersul Filho, o relatório conclui, no que se refere ao fato do transponder estar desligado durante parte do vôo, que não houve intenção dos pilotos do Legacy de desligarem o aparelho que serve para evitar colisões.

- Não existe nada que comprove que houve intenção [dos pilotos do Legacy]de desligar o transponder. Não há um som, um movimento ou necessidade [registrado na caixa preta] que tenha havido intenção. Não haveria porque fazer isso. A hipóteses mais provável é que o transponder tenha sido desligado inadvertidamente. Para a comissão investigadora [a contribuição] desse fato para o acidente foi indeterminado. Não temos como afirmar categoricamente que alguém foi lá e colocou o equipamento em standby - disse.

O presidente do Cenipa afirmou ainda que testes realizados em dezembro de 2006 e fevereiro de 2007 demonstraram que o transponder e os equipamentos de radionavegação do Legacy não apresentavam erros de projeto ou de funcionamento integrado, o que levou a comissão a eliminar a possibilidade de falha ou defeito no transponder.