Parlamentares vão ao Paraguai tratar de pagamento de dívidas

Agência Câmara

BRASÍLIA - O presidente da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional, Marcondes Gadelha (PSB-PB) confirmou que alguns parlamentares viajarão amanhã para o Paraguai, onde têm agendada uma reunião com o presidente Fernando Lugo. Depois disso, vão à Bolívia, mas ainda não há confirmação se serão recebido pelo presidente Evo Morales.

Gadelha fez este anúncio ao final da audiência pública promovida pela comissão para debater a posição brasileira com relação ao banimento da fabricação e utilização das chamadas bombas de dispersão.

Paraguai e Bolívia anunciaram recentemente uma auditoria em suas dívidas externas, e há informações extra-oficiais de que também poderão interromper pagamentos ao Brasil.

Os parlamentares devem retornar ao Brasil no próximo dia 8.

O deputado João Almeida (PSDB-BA) - que requereu a audiência - perguntou ao ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, se o fato de o Brasil não haver assinado o acordo firmado na Irlanda sobre a utilização de bombas cluster se deve à posição contrária do Ministério da Defesa.

Em maio deste ano, 109 países assinaram em Dublin, na Irlanda, um acordo para o banimento da fabricação, compra, armazenamento ou transferência das bombas cluster. Os signatários do acordo comprometeram-se a destruir todos os seus estoques em até oito anos.

Segundo Amorim, o governo ainda está analisando a questão. O ministro disse que o Brasil ficaria mais à vontade se o acordo houvesse sido capitaneado pela Organização das Nações Unidas (ONU). Mas que nada impede que o Brasil assine o acordo posteriormente.

O ministro disse que um dos argumentos para o fato de o Brasil não haver subscrito o acordo é a percepção de que se trata de uma ação discriminatória, uma vez que alguns países têm tecnologia mais avançada do que outros, o que lhes permite substituir as bombas cluster por outros tipos de armamentos.

João Almeida lembrou que estas bombas, muitas vezes, são mais perigosas do que as minas terrestres, que já foram proibidas inclusive pelo Brasil.

Segundo o parlamentar, já existe tecnologia para detectar o lugar onde as minas terrestres foram instaladas. Já as bombas cluster espalham-se aleatoriamente, o que impede a prevenção dos danos que podem gerar.