Defesa Civil: dezenas de corpos são procurados em Ilhota

Portal Terra

FLORIANÓPOLIS - Uma das cidades mais atingidas pelas enchentes e deslizamentos em Santa Catarina, Ilhota ainda pode ter dezenas de corpos soterrados.

- A destruição é total. Poucas casas ficaram em pé. Há várias pessoas mortas. Não dá para ser preciso, mas podem haver tanto 20 quanto 50 corpos - afirmou o chefe da Defesa Civil no município, Paulo Roberto Drum. Até a noite de ontem, o órgão havia registrado 37 mortos no município.

- O trabalho tem sido intensificado por aqui, mas no morro do Baú foram suspensas as buscas por causa do tempo. Há risco de novos deslizamentos e não podemos colocar a vida dos nossos homens em perigo - afirmou. O local teve de ser desocupado às pressas pela polícia.

A ordem para a retirada dos moradores partiu do governador do Estado.

- Mandei que todos fossem tirados. Quem não quisesse teria de sair preso - disse Luis Henrique da Silveira.

Para os soldados do Corpo de Bombeiros que estiveram no local, a cena é assustadora.

- É como se tivesse caído uma bomba por lá. Logo que cheguei, percebi que tudo havia ido para o espaço - afirmou o bombeiro Jornos Rodrigo Maciel.

O cansaço, após mais de uma semana de trabalhos, começa a se tornar um dos problemas.

- Está difícil. Não durmo direito há 13 dias. Cheguei a ficar quase uma semana no morro do Baú - contou. A possibilidade de existência de mais corpos, no entanto, é o que mais assusta. - Famílias inteiras morreram. Muitas pessoas estão desaparecidas. O que posso dizer? Calculo que haja de 200 a 300 pessoas por lá - fala Maciel.

O bombeiro revela que os corpos não identificados são levados para Gaspar.

- Nem passam por aqui. Vão direto para lá . - No município vizinho são depositados em um caminhão frigorífico coberto por uma lona preta. O veículo permanece desde a última terça-feira estacionado em frente ao cemitério Bom Pastor.

Uma das maiores preocupações no local são os desabrigados e desalojados.

- Não temos leite para recém-nascidos, chupeta, mamadeira e brinquedos - afirmou a analista de ambiente do Ibama Annink Silva.

Contudo, em Ilhota, as doações não param de chegar.

- Temos roupas, cestas básicas, materiais de limpeza, fraudes, produtos de higiene e água. A distribuição é feita através de um cadastro com o numero de pessoas - informa a voluntária Andréa Visinhewski.

Dentro do ginásio municipal de esporte são muitas as caixas doadas pela Cruz Vermelha.

- É gratificante. É bom saber que estamos sendo lembrados. Ficamos mais seguros sabendo que a Cruz Vermelha também está aqui.

Os bairros Alto Braço do Báu e Morro Azul são os mais afetados. Em parte do segundo, só é possível entrar de helicóptero.

- A cidade está caótica, vai demorar 2 anos para voltar ao normal. É uma situação desesperadora - diz o motorista Marioni Pedro dos Santos.