Manifestantes defendem em Brasília fim do imposto sindical

Agência Brasil

BRASÍLIA - As recentes medidas implementadas pelo governo federal com o objetivo de atrelar os sindicatos e movimentos sociais ao Estado foi tema de protesto nesta terça-feira na Esplanada dos Ministérios.

Durante toda a manhã, cerca de 1,5 mil professores e estudantes de instituições superiores, servidores públicos e trabalhadores rurais mobilizaram-se em frente aos ministérios do Planejamento e do Trabalho e Emprego em defesa da liberdade de organização e da autonomia sindical.

Eles pediram o fim da cobrança do imposto sindical para servidores públicos e protestaram contra a suspensão do registro do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN) e contra a PLP 92 que cria as fundações estatais de direito privado. O ato público também defendeu melhorias nos serviços públicos e os direitos sociais dos estudantes e trabalhadores da cidade e do campo.

Registro cassado

O registro sindical do Andes-SN foi suspenso quatro meses após ser aprovado no Supremo Tribunal Federal (STF), quando deixou de ser reconhecido pelo Ministério do Planejamento.

- Achamos que foi uma medida imotivada já que o STF garantiu que o Andes tinha o direito de existir. Foi uma decisão administrativa arbitrária que está nos causando muitos problemas. Queremos que o sindicato seja respeitado e recebido pelo governo. Queremos que nossa pauta de reputação seja discutida de maneira democrática e efetiva - disse um dos dirigente do Andes-SN, José Vitório Zago.

O fim do imposto sindical para os funcionários públicos também é uma das prioridades do movimento.

- Achamos que os sindicatos devem ser sustentados por contribuições voluntárias dos sindicalizados e não por contribuições compulsórias recolhidas pelo Estado - acredita Zago.

Em relação à criação da PLP 92, os manifestantes acreditam que a medida vai prejudicar principalmente as áreas de saúde e educação.

- É uma medida que vai aprofundar a privatização desses setores com a conseqüente precarização das condições de trabalho, gerando um atendimento piorado para a população que vai ter que pagar pelos serviços - critica o sindicalista.

Os manifestantes, que não conseguiram ser recebidos no Ministério do Planejamento, seguiram para o Ministério do Trabalho e Emprego, onde encontraram com o chefe da pasta, ministro Carlos Lupi, que chegava ao local naquele momento.

O ato foi organizado pelo Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN), Conlutas, Intersindical, Coordenação Nacional das Entidades dos Servidores Públicos Federais (CNESF), Frente de Luta contra a Reforma Universitária, Via Campesina, Movimento Terra e Liberdade (MTL) e Associação dos Servidores da Fundação Oswaldo Cruz (ASFOC).