Começa demolição de delegacia atacada em Botucatu

Chico Siqueira, Portal Terra

ARAÇATUBA - Funcionários da Prefeitura de Botucatu, a 240 km de São Paulo, começaram a demolir na manhã desta terça-feira o que restou do prédio da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise), que foi destruído por explosão e fogo nesta segunda-feira.

Depois de análises feitas durante todo o dia de ontem, peritos do Departamento de Engenharia Civil da Secretaria de Segurança Pública chegaram à conclusão que a recuperação do prédio não seria possível e por isso recomendaram a demolição.

A Polícia Civil trabalha com a hipótese de retaliação por parte de quadrilhas de traficantes para explicar o ataque.

De acordo com o delegado Seccional Tadeu de Castro, essas quadrilhas foram desarticuladas e tiveram perdas significativas nos últimos meses.

- A Dise apreendeu uma grande quantidade de drogas e veículos e prendeu integrantes desses grupos - disse.

Uma das suspeitas é que o ataque tenha sido feito em conjunto com o Primeiro Comando da Capital (PCC) porque a líder da quadrilha, que está presa, teria se aliado a um líder regional da facção.

Os primeiros passos da investigação serão auxiliados por imagens de vídeo que teriam sido captadas por câmeras de segurança instaladas no comércio da região da delegacia.

As imagens mostram a caminhonete S-10 preta usada pelos criminosos percorrendo grande trecho da rua Campos Salles (próxima da delegacia) na contra-mão, o que indicaria que os criminosos não são da cidade.

"A mesma caminhonete foi vista por vizinhos dentro da garagem da delegacia, mas eles não denunciaram porque pensavam que eram agentes da Dise, que costumam trabalhar de madrugada", disse o agente policial Marcos Roberto Franco, que atua nas investigações do caso.

Segundo ele, testemunhas disseram que de oito a dez homens participaram da ação, e além da S-10 outros carros teriam sido usados pelos criminosos.

Embora não tenha conseguido obter as placas da caminhonete pelas imagens do vídeo, a polícia tem certeza de que os bandidos contaram com ajuda de pessoas que conheciam bem a delegacia, pois sabiam onde estavam os cofres e demais repartições do prédio, além de terem desativado o sistema de alarme.

A polícia tem dúvidas se os criminosos usaram mesmo dinamite para explodir o prédio. Até agora, os homens do grupo especializado em explosivos da Polícia Civil não encontraram vestígio de dinamite ou de outro explosivo nos escombros da delegacia.